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Irene e Teresa,

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tem dias que acordo com vontade de conselho. Quando o chão abre de saudade, no meio de uma viagem longa como esta, quinze dias longe de vocês, de casa. Seu pai é adulto. E adulto morre de medo de uma coisa que criança nem entende. A morte. Aí penso e se eu morrer? E se eu morrer? Vira uma música, sendo que ao contrário - que silencia. Toca angústia no peito, barulho ruim danado de não se ouvir. De longe, pensando em cada passo de vocês no dia de hoje, cada aprendizado que perdi de ver.

E se eu morrer? Deixei as palavras certas? Sempre penso que não. Sempre penso que é pouco, que tudo que for dito é mínimo diante de tantas vontades de conselho que tenho quando estou assim. Só e longe. Assim estou. E hoje vou colocar essa vontade de conselho para fora.

Filhas, olhem sempre uma para a outra.

Mas olhem fundo. Nos olhos, nos gestos, nos movimentos. O olhar da compreensão e do que chamamos de empatia, que é a simpatia maior que há. Olhar para a outra tão profundamente que a outra seja capaz de ver através dos olhos de uma. Reconhecer a outra para conhecer-se melhor. Uma das grandes batalhas, talvez a maior guerra, seja justamente essa. O olho ficou apressado em mudar de vista, filhas. Procuramos paisagens instantâneas para ocupar frações cada vez menores de existência. Logo ela, a existência, que é o nosso maior tempo. Esse exercício começa cedo, por isso estou aqui hoje ainda, antes que meu olhar se apresse em enxergar outra vontade.

A vontade de hoje que silencia em meu peito é o conselho que aqui ofereço.

Olha, Irene. É Teresa.
Olha, Teresa. É Irene.

Do seu pai,
Pedro.

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