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O 'gangster' Lula versus o gangster Eduardo Cunha

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Eduardo Cosentino da Cunha foi preso no dia 19 de outubro de 2016. Seu nome ganhou destaque na imprensa a partir de 2015, quando ele venceu a disputa pela presidência da Câmara dos Deputados. Foi conduzido até seu cárcere em Curitiba sem algemas, numa operação discreta da Polícia Federal e do juiz Sergio Moro na Lava Jato.

Desde o Mensalão, Luiz Inácio Lula da Silva é apontado por colunistas na imprensa como o grande líder do maior esquema de corrupção brasileiro. Com o estouro do escândalo Petrolão no mandato de sua sucessora, a ex-presidente Dilma Rousseff, Lula foi conduzido coercitivamente numa operação no dia 4 de março deste ano como se fosse um criminoso perigoso, envolvendo mais de 150 agentes. Ele é réu em diferentes investigações envolvendo um triplex no Guarujá, um sítio em Atibaia e palestras de seu instituto. A defesa do petista nega as acusações.

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Cunha foi denunciado na Suíça por ter contas irregulares no exterior a pedido da Procuradoria-Geral da República. A investigação foi feita pelo Ministério Público suíço. Deputados como Ciro Gomes, Anthony Garotinho e ex-aliados afirmam que Eduardo Cunha foi o grande articulador de propinas nos mandatos de Dilma e Lula. Foi sua influência como "eminência parda" que lhe deu a presidência perante os deputados. Teria desviado dinheiro da BR Distribuidora, de sondas da Petrobras, de Furnas e de outras partilhas de propinas de empresas estatais e mistas. A defesa de Cunha afirma que as operações são regulares e que parte delas são frutos do seu trabalho no setor privado. Ele foi operador da bolsa depois de presidir a Telerj no governo Fernando Collor, com apoio de PC Farias. E ganhou eleitorado evangélico com ajuda do ex-amigo Garotinho, no Rio de Janeiro.

A Justiça tentou bloquear R$ 221 milhões da conta de Cunha após a prisão. Encontrou as contas zeradas. A esposa e os filhos de Eduardo Cunha teriam conduzido a verba num empréstimo de R$ 250 milhões para a Igreja Evangélica Cristo, que pertence ao radialista Oliveira Francisco da Silva, ex-deputado federal e aliado de Cunha.

Lula teria feito uma reforma acima de R$ 1 milhão com as empreiteiras OAS e Odebrecht num sítio em Atibaia do seu amigo e fundador do PT, Jacob Bittar. O ex-presidente também teria reformado o triplex no Guarujá. O ex-presidente também é investigado por palestras do Instituto Lula em Angola e países do continente africano, em campanhas de combate a fome.

Esquerdistas, especialmente os petistas, temem que Moro decrete a prisão de Lula após Cunha. A direita comemorará quando o ex-presidente for preso e usa o encarceramento do ex-deputado cassado como uma "demonstração definitiva que a Lava Jato é imparcial".

Os dados mostram algo diferente. É leviano acreditar que todas as atitudes de Sergio Moro visem apenas Lula, mas é nítido que há equívocos numa investigação baseada fortemente em delações premiadas e não em investigações mais cirúrgicas no fluxo do dinheiro desviado. Cunha, que teria um patrimônio 53 vezes maior do que o declarado, é tratado com uma parcimônia que beira o absurdo. Falta rigor sobre sua investigação e sobram indícios que ele iria fugir do país com o dinheiro após sua cassação na Câmara dos Deputados.

Lula, no entanto, é foco das principais revistas e jornais do País. Foi tratado pelo procurador Deltan Dallagnol como o chefe da "propinocracia". É o líder supremo. O "gangster" segundo as investigações oficiais.

Enquanto isso, Cunha se comporta em diferentes momentos neste enredo "como se também fosse um gangster". Há relatos na Câmara, antes de sua cassação, de achaques, compra de votos e táticas de intimidação.

No palco da Lava Jato, o grand finale de Lula é preparado.

Mas algumas pessoas estão entendendo, aos poucos, que há "gangsters" nesta história, que não são exatamente o que parecem. E há gangsters reais agindo, que não são devidamente punidos.

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