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A UNESCO está de olho na gamificação no Brasil e você deveria se importar com isso

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GAMES
TommL via Getty Images
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Texto originalmente divulgado no site Geração Gamer.

Ocorreu a Global Mil Week dentro da ECA, na Universidade de São Paulo (USP), e na Escola Britânica de Artes Criativas (EBAC) entre os dias 2 e 5 de novembro de 2016. Embora tenha sido um evento acadêmico e fora do circuito dos grandes encontros no Brasil, ele trouxe discussões importantes sobre gamificação ao nosso país.

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E discussões com alcance mundial.Gamificação é um conceito que se tornou popular nos anos 2000, espalhado sobretudo nos segmentos de marketing, publicidade e tecnologia, ao designar elementos de jogos eletrônicos em contextos fora do tradicional. Por exemplo, games para educação, operações cirúrgicas de médico, recrutamento de empregados e outros espaços que comportam adaptações de jogos eletrônicos e analógicos.

O Global Mil Week discutiu gamificação em uma campanha encabeçada pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, a UNESCO. Instituição pertencente à ONU, ela foi fundada em Paris no dia 4 de novembro de 1946, após a Segunda Guerra Mundial, e faz parte de iniciativas globais para debater as entidades culturais e educacionais.

A ponte entre a UNESCO e a USP no evento que durou três dias foi o professor, economista e jornalista Gilson Schwartz. Representante da Games For Change, ONG de Nova York que prega jogos para mudanças sociais, ele também é membro do grupo de pesquisas Cidade do Conhecimento. A ideia de Gilson é justamente mudar a relação dos indivíduos com a sociedade através da tecnologia.

O evento serviu para promover os Mil Clicks, acrônimo para Media and Information Literacy. Trata-se de um programa de game social que funciona com curtidas. Cada curtida rende uma moeda paralela que promoveu um bazar dentro da USP.

Para quem não conhece, moedas paralelas são utilizada em regiões periféricas do Brasil e do mundo todo. O Banco Palmas é um bom exemplo no Ceará de economia baseada em moeda criativa que não substitui o real brasileiro, mas torna real a inclusão social de uma faixa pobre da população.

A ideia de Gilson, portanto, é estudar e implantar sistemas como Mil Clicks, ou similares, para promover uma inclusão. O trabalho dele já ia nesta direção ao assumir o Portal da Juventude em parceria com a prefeitura de São Paulo na gestão Fernando Haddad.

Gilson Schwartz quer, portanto, aliar políticas públicas e games.

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Outros porta-vozes de partes distintas do planeta também falaram sobre o Mil Clicks na USP. Havia comunicadores do México, Oriente Médio, Canadá e Estados Unidos presentes numa plateia cheia com tradução simultânea na ECA. A educadora Carolyn Wilson divulgou as ações digitais da UNESCO e da ONU. Ela foi a principal representante da Global Mil Week dentro da Universidade de São Paulo e é docente na Canadá Western University.

Alton Grizzle deu um depoimento sobre os preconceitos étnicos que ainda existem contra negros e a necessidade de políticas mais inclusivas. Ele é responsável por ações globais e programáticas da UNESCO no mundo. Já promoveu ações de empoderamento feminino, direitos humanos e questões de gênero na mídia. Alton trabalha diretamente na sede da UNESCO em Paris.

Os olhos de uma organização da ONU para ações de gamificação no Brasil deveria acionar um alarme entre a cena brasileira de jogos digitais. Não é caso de game jams voltadas para projetos inclusivos? Como trazer mais projetos internacionais ao nosso país?

Estas são as questões que ficam.