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Convenções não-convencionais

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DONALD TRUMP
ROBYN BECK via Getty Images
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A cada quatro anos, em um ritual peculiarmente gringo, "delegados" convergem em cidades designadas por republicanos e democratas para participar das suas respectivas convenções nacionais, ostensivamente para escolher seus candidatos a presidente e vice nas eleições de novembro. Cheios de entusiasmo e movidos a muito álcool e festas intermináveis, cada Estado anuncia quantos de seus delegados estão votando em cada um dos pré-candidatos do partido.

Sob as luzes sedutoras da TV, é um momento de fama para o presidente do partido no Estado, não muito diferente do anúncio caótico dos votos a favor ou contra o impeachment de Dilma.

A convenção republicana deste ano começa hoje em Cleveland, Ohio, e vai até quinta-feira. A dos democratas acontece entre os dias 25 e 28 deste mês, na Filadélfia.

Historicamente, e antes do sistema de primárias que hoje determina os candidatos presidenciais muito antes das convenções, esses eventos tinham um propósito sério. Os delegados tinham liberdade considerável para votar nos candidatos de sua escolha, em vez de serem obrigados, pelo menos na primeira votação, a votar nos vencedores das primárias em seus distritos. Em um ano normal, a cuidadosa coreografia das convenções seria totalmente previsível. Todos os luminares passados e presentes do partido apareceriam juntos, numa demonstração de missão comum.

Mas este ano não é normal. Várias estrelas republicanas parecem ter medo de contágio tóxico pelo candidato vencedor e sumiram por entre as nuvens. "Mitt Romney, John McCain e a família Bush não devem comparecer. Vários governadores, senadores e deputados estão alegando conflito de agenda e outras desculpas para ficar longe de Cleveland e a uma distância segura do indicado do Partido Republicano, Donald Trump", escreve Mary Sanches no "The National Memo".

Na atual maluca atmosfera política, as regras da convenção poderiam ser alteradas, certezas podem virar dúvidas e a nomeação de Donald Trump poderia se transformar numa extraordinária briga política e legal. É uma eleição em que os dois vencedores das primárias têm altíssimos índices de rejeição. Muitos eleitores votarão contra um candidato, em vez de votar em um candidato.

Não costumo concordar com Donald Trump, mas gostei da sua promessa recente de que esta convenção "seria divertida - mas não muito divertida --, de bom gosto, séria e focada". Obcecado com índices de audiência e tempo de TV de graça, ele sabe instintivamente que, quando mais estiver no centro das atenções, maior será a audiência. Em uma de suas tiradas mais irônicas, ele teria dito: "Não quero que as pessoas achem que estou me exibindo - não estou. Mas a audiência seria alta".

A audiência alta estará garantida se o movimento cada vez mais virulento contra Trump continuar a tomar impulso. O objetivo é desobrigar os delegados republicanos a seguir os resultados das primárias, de modo que eles votem segundo suas consciências. O bastião do conservadorismo que é o "The Wall Street Journal" noticiou que "o grupo anti-Trump precisa do apoio de 28, ou um quarto, dos membros do Comitê de Regras da Convenção para que a questão seja levada para o plenário da convenção. Um levantamento do Wall Street Journal sugere que pode ser apertado". Se a "abertura" da convenção for aprovada no comitê, a ideia é levada ao plenário da convenção, onde apenas metade dos votos são necessários para uma aprovação. Se isso acontecer, certamente a audiência vai bater recordes. Quem substituiria Trump? Ninguém sabe.

A convenção democrata deve ser muito mais rotineira. Como a maioria das pessoas assiste TV no horário nobre, é nessa hora que acontecem a votação e os principais discursos. Quem fala, a que horas e sobre o que é resultado de tantas negociatas políticas quanto a escolha do candidato. Durante o dia, discursos intermináveis e blá-blá-blá regimental são tão empolgantes quanto assistir a grama crescer.

A noite final das duas convenções são reservadas para os discursos de aceitação dos candidatos. É neste momento em que tradicionalmente começa a real campanha presidencial. Apelos eloquentes e discursos ambiciosos são feitos em busca de apoio. É o momento em que a retórica divisiva das primárias é esquecida em nome da união.

Só Deus sabe o que vai acontecer. Para dizer o mínimo, é muito provável que as convenções não sejam nada convencionais.

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