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GringoView Eleições Americanas: Tão Unicamente Gringas

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AMERICAN ELECTIONS
Shutterstock / Piotr Krzeslak
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OK, vamos admitir.

Sou um gringo viciado em política. Por mais que as considerações racionais me digam para não seguir o reality show dos dois candidatos principais, Donald Trump e Hillary Clinton, e os milhares de coadjuvantes, não tenho como não assistir suas bizarrices nem como não tentar responder as perguntas dos meus amigos e colegas brasileiros.

Se o processo de impeachment no Brasil é confuso, tenha certeza de que as campanhas eleitorais americanas também são.

Uma coisa tão bizarra está acontecendo agora nos Estados Unidos, e suas implicações são potencialmente tão sérias para o mundo, que quero tentar desvendar o que realmente se passa e sua importância, nem que seja para achar um pouco de humor nisso tudo - se é que tem alguma coisa engraçada.

Portanto, de agora até a eleição, vou complementar minha cobertura cultural no HuffPost com os sons, as fúrias, as ironias, os ultrajes e as hipocrisias da eleição de 2016. Espero que você me acompanhe no que certamente vai ser uma montanha-russa aterrorizante. Chame seus amigos.

A menos que aconteça algo totalmente extraordinário e imprevisto entre agora e as convenções partidárias, que escolherão os candidatos a presidente e vice (entre 18 e 21 de julho para os republicanos; uma semana depois para os democratas), os republicanos vão escolher Donald Trump como seu candidato, e os democratas, Hillary Clinton. Os candidatos a vice serão indicados pelos partidos e candidatos e, ao contrário dos candidatos presidenciais, não terão de enfrentar meses de eleições primárias nos Estados. O vice pode estar a um passo da Casa Branca, mas este fato parece ser facilmente esquecido na hora de escolher um nome que possa ajudar a conquistar uns votos a mais, mesmo que eles não tenham nada que os recomende e, Deus nos livre, eles acabem na Presidência.

Nem Trump nem Clinton são populares fora de núcleos relativamente pequenos do eleitorado. Na realidade, esta é a primeira vez na história dos Estados Unidos que ambos os candidatos têm índices negativos nessa dimensão. Uma pesquisa "Washington Post/ABC News" perguntou: "Em geral, você tem uma impressão favorável ou desfavorável de [nome do candidato]?" Clinton ficou à frente de Trump por um mero ponto percentual, com um índice de "fortemente desfavorável" de 46%, contra 45% de Trump. Temos de fazer uma pergunta constrangedora: num país de mais de 300 milhões de pessoas, será que não havia como emergir um candidato com índices positivos, que os eleitores gostariam de ver em papeis de liderança?

Quando Obama foi eleito pela primeira vez, a primeira página inteira de um jornal proclamou: "Homem negro escolhido para o pior emprego do mundo". Talvez porque, por mais prestigiosa e sedutora seja a posição de "líder do mundo livre", é verdade que o emprego é realmente o pior do mundo, uma empreitada em que não há sucesso possível e na qual as mentes mais brilhantes do país não estão nem um pouco interessadas.

Donald Trump é um bilionário de Nova York que fez fortuna no setor imobiliário e ficou famoso com um reality show em que os participantes competiam para se tornar seu "aprendiz. Ele ficou infame não só pela maneira brutal com que eliminava os candidatos - "Você está demitido" --, mas também por seu enorme ego e suas visões nativistas (ele promete fazer "os Estados Unidos voltarem a ser grandes"), anti-imigração, misóginas e vazias. Ironicamente, apesar de três casamentos e adultério público, Trump se tornou o queridinho da classe média "conservadora", mesmo sem conseguir explicar como vai fazer os Estados Unidos voltarem a ser grandes.

Diz-se que uma das razões pelas quais os Estados Unidos precisam de um fluxo constante de imigrantes é o fato de eles fazerem o tipo de trabalho que os americanos simplesmente não estão dispostos a aceitar. Talvez, afirmou um comentarista, "seja por isso que as três mulheres de Trump nasceram no exterior".

Hillary Clinton tem um currículo difícil de superar. Advogada formada em Yale, mulher do ex-presidente Bill Clinton e primeira-dama durante os dois mandatos dele, a senadora por Nova York tem um histórico destacado no Senado e no primeiro governo Obama, no qual ocupou o cargo de secretária de Estado.

Será que ela parece fria e "empacotada" demais, incapaz de atingir o eleitorado num nível emocional? Será que ela sempre esteve muito perto dos limites éticos e é percebida como uma candidata próxima demais a Wall Street, por causa de suas palestras que custavam 1 milhão de dólares e sua recusa em divulgar o conteúdo de suas falas? Será que foi porque ela usou seu servidor de e-mail privado em vez do sistema do Departamento de Estado quando ocupava o cargo?

O circo da eleição parece não ter fim. Na verdade, ser eleito ou reeleito parece ser o único objetivo dos políticos da Gringolândia esses dias. O dinheiro que é gasto pelos candidatos e seus apoiadores sugerem que as eleições americanas estão à venda para quem der o lance mais alto.

Tem muito mais o que dizer sobre isso tudo nos próximos posts.

Você pode ler o primeiro post desta série clicando aqui.

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