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GringoView Eleição nos EUA: História de Fantasmas

Publicado: Atualizado:
DONALD TRUMP
Drew Angerer via Getty Images
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"A vida não passa de uma sombra que caminha, um pobre ator
Que se pavoneia e se aflige sobre o palco -
Faz isso por uma hora e, depois, não se escuta mais sua voz.
É uma história contada por um idiota, cheia de som e fúria
E vazia de significado."

Shakespeare, em Macbeth

Esta eleição gringa pode ser cheia de som e fúria e pode ser totalmente vazia de significado. Mas, pelos padrões de todas as eleições passadas nos Estados Unidos, ela está ficando cada vez mais estranha e assustadora. Este pode ser um bom momento para meus compatriotas gringos se colocarem algumas perguntas difíceis sobre sua democracia e decidir que rumo ela deve seguir.

Esse barulho todo em torno da eleição está forçando o público americano a encarar os fantasmas do racismo, do machismo agressivo, da homofobia e da inveja enraivecida, que esperavam nos bastidores por seu momento de ocupar o palco central. O provável candidato republicano Donald Trump despreza a "correção política" frequentemente hipócrita, dando preferência a uma linguagem francamente racista, evocando o fantasma da segregação racial e se deleitando com o endosso recebido do Ku Klux Klan (KKK).

Em entrevista à CNN, ele se negou a condenar David Duke, antigo "grande mago" (líder) do KKK, e os grupos supremacistas brancos que apoiam sua candidatura. Isso não é politicamente correto, não mesmo. Seus apoiadores, como Paul Ryan, o poderoso e covarde presidente da Câmara dos Deputados, condenaram fortemente o fato de Trump não se dispor a rejeitar o endosso do KKK, mas disseram que nem por isso deixarão de apoiar a candidatura de Trump. Não é exatamente um bom exemplo de alguém que tem a coragem de defender suas convicções.

A mesma coisa se repetiu com o ataque lançado por Trump contra o juiz que preside um processo na justiça federal contra a Trump University, um programa de seminários de corretagem imobiliária de Trump que é acusado de ser uma operação que visa lucros ilegais. Trump disse que o juiz não pode ser justo porque é "mexicano" (na realidade o juiz é filho de imigrantes mexicanos, mas nasceu e foi educado nos EUA). Os frequentes e violentos ataques de Trump a muçulmanos, tachando-os de terroristas e dizendo que se for presidente não os deixará entrar no país, são apenas mais um caso em sua longa lista de ataques racistas e xenófobos.

Meus amigos aqui no Brasil me perguntam a toda hora: "O que aconteceu com a América?" Por que uma parte grande da populacho de repente perdeu sua tolerância cortês e cordial das opiniões e crenças que diferem das suas? Será o fim da democracia e da liderança moral dos Estados Unidos? Será Trump um pequeno Hitler ianque, à espera de seu momento?

Lamento dizer que o que aconteceu com a América não é novidade alguma. É algo que vem acontecendo há algum tempo já. Antes os fantasmas sussurravam; agora, estão gritando. Desde a eleição de Barack Obama, o primeiro presidente negro, os republicanos vêm usando (com êxito considerável) sua maioria na Câmara e no Senado para tentar sabotar e derrotar cada iniciativa dele. Esses esforços quase sempre são disfarçados como atos de "conservadorismo". Mas a verdade é que são motivados por um ódio racista singular, que fervilha em fogo baixo, pelo fato de, nas palavras de um crítico, "...um deles ter chegado à Casa Branca, e não um de nós".

Com a ascensão do fenômeno Trump, estamos assistindo a uma enorme reação contrária de homens brancos, da classe trabalhadora e de baixo nível de instrução, que se sentem traídos pelo poder e a riqueza crescentes da comunidade negra, por imigrantes que eles consideram que colocam em risco sua segurança no emprego, pelo papel mutante (e desafiador) das mulheres e por uma revolução tecnológica que os ultrapassou e deixou a ver navios. O fato de seu herói ser um bilionário agressivo, egoísta, vulgar, mentiroso e mulherengo parece não incomodá-los nem um pouco.

Por sorte, esse fato mais que incomoda -ele deixa horrorizados os homens educados, a maioria das mulheres, os negros e os hispânicos, sem os quais não é possível conseguir votos suficientes para ser eleito presidente.

Então para que todo o som e a fúria?

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