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GringoView: O lado bom da crise do Theatro Municipal

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ORQUESTRA
Divulgação/Theatro Municipal
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A maioria dos gringos acredita que tudo tenha um lado bom, que por pior que as coisas estejam algo de bom vai sair dali. Esses otimistas sempre acreditam que todo problema é uma oportunidade em potencial.

Diante das nuvens negras de uma economia nacional em crise e de seis óperas que estouraram o orçamento no ano passado, os rumores indicavam que a temporada do Theatro Municipal de São Paulo teria cinco ou seis óperas em 2016. O número foi reduzido para quatro.

Em resumo, o dinheiro simplesmente não era suficiente. Este era o grande problema para John Neschling, diretor artístico do Theatro Municipal cuja paixão pela ópera vem inclinando a programação da casa nesse sentido.

Mas o problema gerou uma bela oportunidade. Com uma boa orquestra, um bom coro e um número relativamente de solistas convidados, o Theatro poderia oferecer uma experiência musical empolgante a um custo relativamente baixo.

Ela tinha até uma linhagem histórica: em 1964, o Theatro Municipal apresentou um Festival Beethoven para comemorar as bodas de prata da sua orquestra. O atual Festival Beethoven é certamente um lado bom da crise.

Todas as nove sinfonias de Beethoven, seus cinco concertos para piano e uma outra obra-prima do compositor serão apresentados em ordem mais ou menos cronológica.

O festival começou em 10 de agosto e vai continuar em apresentações semanais, a maioria nas tardes de domingo, terminando com a performance da monumental 9ª Sinfonia no dia 4 de setembro.

Todas serão conduzidas por John Neschling, um maestro magnífico cujo estilo parece ser mais ouvir seus músicos que dirigi-los, tirando deles as sutilezas musicais de cada página da partitura. Conduzir tantas obras diferentes, uma depois da outra, não é tarefa fácil. Neschling certamente parece estar à vontade.

Pode-se dizer que Beethoven compôs as obras mais executadas de todos os tempos. Seu trabalho é um dos pilares do Municipal: ao longo dos anos, o teatro apresentou obras do alemão mais de 1.650 vezes.

Apresentar seus trabalhos em ordem cronológica, com os concertos para piano (todos sob a responsabilidade do excelente pianista Ricardo Castro) junto das primeiras cinco sinfonias, é uma ideia excelente.

Num domingo recente, o 2º Concerto para Piano (composto entre 1795 e 1801) e a 2ª Sinfonia (também de 1801) ofereceram não só a alegria de ouvir músicas lindas interpretadas de forma brilhante, mas também a chance de apreciar a produção do compositor num determinado período tanto na forma de sinfonia como na de concerto.

A 5ª Sinfonia de Beethoven, que será apresentada às 20h desta quinta-feira, 25 de agosto, é provavelmente a música clássica cujo tema inicial é reconhecível por qualquer pessoas que já a tenha ouvido pelo menos uma vez. Diz-se que o compositor descreveu as famosas notas como "o destino batendo à sua porta".

Esse "tema do destino" é repetido de várias maneiras diferentes durante a composição e representa um elemento unificador inesquecível. Quatro anos se passaram entre as ideias originais de Beethoven, em 1804, e a conclusão e primeira apresentação da sinfonia.

A 9ª, um trabalho monumental e uma das obras mais conhecidas do repertório clássico, foi descrita por um crítico do jornal britânico The Guardian como tendo "escala incompreensível, exigências técnicas quase impossíveis e, acima de tudo, um idealismo humanista utópico no coro da 'Ode à Alegria' de Friedrich Schiller no último movimento".

Alguns críticos contemporâneos dizem que ela provava a loucura de Beethoven; outros, como o também compositor Hector Berlioz, a descrevem como "a culminação de sua genialidade".

Em escala internacional, a amplitude e a qualidade do festival é impressionante. E certamente é uma ótima oportunidade de visitar o Theatro Municipal.

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