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É hora de uma nova geração de líderes se apresentar para comandar a luta contra a Aids

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PRINCE HARRY
ASSOCIATED PRESS
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Este blog é uma versão adaptada de um discurso feito pelo príncipe Harry diante da Conferência Internacional sobre Aids, em Durban, África do Sul, na quinta-feira 21 de julho.

A primeira vez em que viajei ao belo reino montanhoso de Lesoto, eu tinha 19 anos. Esse país possui algumas das paisagens mais deslumbrantes do mundo, mas também algumas das crianças e adolescentes mais vulneráveis.

Naquela primeira visita e ao longo de muitas outras feitas nos últimos 32 anos, conheci inúmeras crianças e adolescentes que mal sabem o que é ser criança. Infelizmente, é muito comum um garoto ou garota de 12 anos ser obrigado a trabalhar para sustentar seus irmãos, depois de perder pai, mãe ou ambos para a Aids.

Quando meu amigo Príncipe Seeiso e eu fundamos a Sentebale, vimos desde o começo que as crianças com HIV enfrentam vários desafios médicos, sociais e emocionais, todos ao mesmo tempo. Percebemos que não bastaria enfocar os efeitos físicos da doença - uma criança com depressão ou estresse traumático não tratados, devido à perda de familiares, pobreza e discriminação, é uma criança que tem grande probabilidade de não seguir seu programa de tratamento.

Passei os últimos dias visitando nosso novo Centro Infantil Momahato, nos arredores de Maseru. Nossa equipe no local criou um ambiente seguro e aberto onde crianças e adolescentes são incentivados, pela primeira vez, a compartilhar com seus pares as experiências que vivem, convivendo com o HIV.

Nos últimos dez anos de cooperação com o Lesoto, pude testemunhar em primeira mão os avanços incríveis feitos no tratamento dos efeitos físicos e mentais do HIV. Estes avanços no combate à transmissão do vírus, na ampliação de acesso a tratamento e na melhoria do fornecimento de exames para detectar o vírus, são as vitórias de muitas das pessoas e organizações aqui reunidas nesta conferência.

Quando aconteceu a primeira conferência internacional sobre Aids, o HIV representava uma sentença de morte. O tratamento não estava amplamente disponível no mundo desenvolvido, o que dirá nas regiões mais pobres. O estigma associado à doença impedia as pessoas soropositivas de falar abertamente sobre sua condição e impedia pessoas vulneráveis de criar a coragem de procurar uma clínica e pedir para fazer um exame de HIV.

Mas, graças ao trabalho dos líderes na luta contra o HIV - gente como Nelson Mandela, sir Elton John, os corajosos ativistas da TAG e da ACT UP, pessoas como o Dr. Peter Piot e como minha mãe, a Princesa Diana, fizemos avanços enormes.

Quando minha mãe segurou a mão de um homem que estava morrendo de Aids num hospital da zona leste de Londres, ninguém poderia imaginar que, pouco mais de um quarto de século mais tarde, existiria tratamento médico que possibilitaria aos soropositivos viver uma vida plena, saudável e cheia de amor.

Mas hoje estamos diante de um novo risco: o risco da complacência. De não nos preocuparmos suficientemente com a Aids.

À medida que as pessoas com o vírus HIV vivem mais tempo, a Aids foi se tornando um tema que saiu das manchetes. E, com a atenção tendo sido desviada desse problema, corremos o risco de uma perda real de verbas e de ações para combater o vírus.

Não podemos perder a consciência da urgência do problema. Apesar de todos os progressos alcançados, o HIV ainda é um dos problemas globais mais urgentes e graves; apenas no ano passado, 1,1 milhão de pessoas no mundo morreram de Aids e 2,1 milhões foram infectadas pelo vírus. O HIV ainda é a maior causa de morte entre os adolescentes da África subsaariana. No meu país, os índices de contaminação continuam a subir entre os setores mais importantes, apesar da disponibilidade de exames imediatos e do acesso universal ao tratamento médico.

Assim, é hora de uma nova geração de líderes se apresentarem para encarar este desafio.
É hora de assumirmos essa causa, para garantir que nenhuma criança ou adolescente sinta a menor vergonha em pedir para fazer um exame de Aids.

É hora de assumirmos essa causa para garantir que meninos e meninas com HIV não sejam impedidos de brincar com seus amigos, colegas de classe e vizinhos.

É hora de assumirmos essa causa para reconhecer que o estigma e a discriminação ainda constituem a maior empecilho para que possamos derrotar essa doença de uma vez por todas.
O que pude ver nestes últimos dias em Lesoto me faz acreditar, com muita confiança, que vamos conseguir encarar esse desafio. Nós, na Sentebale, ainda nos sentimos inspirados ao ver jovens que têm tão pouco, mas que mesmo assim trabalham tão arduamente para apoiar seus amigos e transmitir informações às famílias deles sobre o HIV. É por causa deles que esta luta é tão importante para mim.

Espero que suas histórias de coragem, e não apenas os problemas imensos que eles enfrentam, possam inspirar todos vocês, também.

Acredito que não poderemos derrotar o HIV sem dar aos jovens em cada país a voz que eles merecem. Sem educação e empoderamento, o HIV vai vencer.

Mas imagine só o que acontecerá se em lugares como o Lesoto e em toda a África crianças receberem ferramentas para proteger sua saúde, para erguer suas vozes contra o estigma e a discriminação e para apoiar seus amigos e famílias. Ao ajudar crianças e adolescentes a combater o HIV, não estaremos apenas derrotando esta epidemia - estaremos mudando a direção da história para toda uma geração.

Obrigado.

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.

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