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Como a tecnologia nos ajuda a denunciar os bullies e a defender as vítimas

Publicado: Atualizado:
DUKE OF CAMBRIDGE
Matt Dunham/PA Wire
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Este post é uma versão editada do discurso feito pelo duque de Cambridge no London 2016 Founders Forum, no dia 16 de junho.

A primeira coisa que deveria dizer é que estou gravando Inglaterra e País de Gales para assistir mais tarde em casa, então, por favor, não me contem quanto foi o jogo. É sério. Se você tem um app no celular que te alerta quando sai um gol, você sabe o que tem de fazer! Peço que desliguem os celulares, mas vocês provavelmente são o público errado para pedir esse tipo de coisa.

Tenho de admitir, como a maioria das pessoas da minha idade, que teria dificuldades sem meu smartphone - para notícias, esportes, música e um jogo de vez em quando. E a tecnologia também é parte importante da minha vida no trabalho. Como piloto de ambulância aérea, adoro o fato de que meu helicóptero esteja equipado com aparelhos capazes de salvar-vidas; e considero as mídias sociais centrais para a comunicação da Família Real no século 21.

Muito se fala publicamente dos desafios que as novas tecnologias - em particular a internet - podem representar para as pessoas, em termos de disseminação do extremismo, invasão de nossa privacidade e segurança de nossos dados. As mídias sociais também são alvo de escrutínio, pela maneira como ela pode criar uma plataforma para ataques e outros comportamentos maliciosos. Mas, embora a tecnologia possa criar novos problemas, acredito que a inovação na tecnologia seja uma força do bem e que esses avanços possam significar muito mais benefícios do os que prejuízos sobre os quais se costuma falar.

É por isso que é um privilégio poder dirigir-me a vocês hoje, porque vocês são as pessoas que têm a oportunidade de levar esse bem adiante.

Completo 34 anos semana que vem. Todo ano da minha vida viu mudanças enormes nas maneiras como nos comunicamos, fazemos negócios, travamos relacionamentos e escolhemos governos. Essas mudanças tornam o mundo mais transparente, nossas comunidades mais envolvidas e as barreiras entre culturas e países mais fáceis de atravessar.

São vocês nesta sala, e quem os apoia, que fizeram mais que quase todos os outros para moldar este novo mundo à nossa volta. Já posso ver que vocês fazem muito para pensar ambiciosamente como suas criações serão celebradas daqui 100 ou 200 anos. A Promessa dos Fundadores - se bem-sucedida, o que espero que aconteça - vai embutir o hábito da filantropia entre os empreendedores. E muitos de vocês já colaboraram com instituições de caridade e causas, incluindo a minha Fundação Real, para atingir novos públicos de maneiras inovadoras e atenciosas.

Há uma questão para a qual gostaria de pedir sua ajuda a energia, a fim de transformar um problema preocupante em uma oportunidade empolgante - como proteger as crianças na internet. Crianças e jovens usam a internet mais do que quase todos nós, mas são jovens, inexperientes ou imaturos demais para ter discernimento sobre o que é seguro e o que não é.

Peço sua ajuda em particular para lidar com a questão do bullying. Desde cedo, detesto o bullying em todas as suas formas.

Quando Catherine e eu começamos nossa família alguns anos atrás, fiquei alarmado com os relatos de bullying online que ganhavam as manchetes mundo afora.

De meninas desenvolvendo transtornos alimentares depois de campanhas de abuso nas redes sociais a meninos adolescentes que tiraram as próprias vidas depois de serem constantemente alvejados - como pai, fiquei horrorizado.

O que víamos é que as mídias sociais e as mensagens transformaram o bullying não apenas num tormento nas salas de aula e no playground, mas algo que te seguia até sua casa - o refúgio seguro que as crianças deveriam ter.

Devo admitir que, a princípio, tinha a preocupação de que as empresas de tecnologia talvez não estivessem fazendo o suficiente em relação a isso.

Mas, ao examinar mais a questão, dei-me conta de que a tecnologia também fazia algo positivo. Ela trazia à tona a tragédia silenciosa e muitas vezes escondida do bullying. Finalmente podíamos enxergá-la.

Para crianças em idade escolar hoje, não há diferença entre as vidas online e offline. Bullying é bullying, onde quer que aconteça.

Mas hoje - graças à transparência trazida pela tecnologia - temos a oportunidade de que outros - amigos, professores, até mesmo desconhecidos - intervenham; defendam as vítimas e denunciem os bullies. A tecnologia digital cria novas oportunidades para que se compartilhem histórias positivas e encorajadoras e para que as pessoas vulneráveis saibam que não estão sozinhas.

Criei uma força-tarefa liderada por Brent para desenvolver uma estratégia nova e positiva para combater o bullying. Queremos avançar o bom trabalho que acontece no setor de tecnologia, para alinhá-lo melhor e garantir sua sobrevivência no futuro.

Estou encantado com o entusiasmo que tivemos e com o extraordinário grupo de pessoas reunido por Brent. Infelizmente, ele ainda não conhece ninguém na Apple, mas estou tentando apresentá-lo a alguém. Temos muito trabalho pela frente, mas, daqui um ano, esperamos ter um plano para obter melhoras fundamentais na segurança online de crianças que são vítimas de bullying.

Então hoje peço suas ideias, seu apoio e seu engajamento com a força-tarefa de Brent. Por favor, aproveitem a oportunidade para se envolver.

Acredito que, atacando o bullying de forma criativa e aberta, vocês criaram um modelo duradouro para como a internet deveria progredir em direção a sua próxima fase de desenvolvimento.

A internet é nova - para o público em geral, ela mal tem 20 anos. O que fizermos agora, portanto, vai moldar essa tecnologia para sempre - então temos de dar os passos certos. Acho que temos a chance de mostrar que, com relação ao bullying, a tecnologia pode fazer mais do que criar remendos para o problema; em vez disso, vamos criar uma mudança positiva e duradoura em nossa cultura que não poderia ter acontecido sem avanços tecnológicos.

Muito obrigado pela oportunidade de falar para vocês, e espero trabalhar com vários de vocês.

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.

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