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Robin Wright conseguiu um salário equiparado. Mas só porque ela é Robin Wright

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ROBIN WRIGHT
Lucas Jackson / Reuters
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Robin Wright provou mais uma vez ser uma das estrelas que mais brilham em Hollywood. Desta vez, entretanto, não foi com uma performance encantadora ou com um discurso eloquente em uma cerimônia de premiação, mas sim com declarações aparentemente simples sobre salários iguais.

"Eu disse, tipo: 'Quero receber o mesmo que Kevin [Spacey]'", disse ela, falando sobre House of Cards. "Era o paradigma perfeito. Há pouquíssimos filmes ou séries de TV em que o homem, o patriarca e a matriarca estão à mesma altura. E é o caso em House of Cards."

Mas os comentários sinceros - brilhantes, para falar a verdade -- de Robin me deixaram um pouco desanimada. Como ela afirma, Claire e Frank Underwood - e tanto ela quanto Kevin - são equivalentes. Ambos os atores também escrevem roteiros e produzem, e seus alter-egos na tela são igualmente excelentes.

Então por que Robin ainda tem de lutar para receber o mesmo que Spacey? Se ela ainda tem de lutar por salários iguais, que esperança temos nós, meros mortais?

Os comentários de Robin deram nova vida a uma conversa que acontece em Hollywood há um bom tempo. As declarações dela repercutiram no Twitter e apareceram no noticiário durante o dia todo. Poucos discutiriam que salários iguais, a despeito de gênero, etnia, idade ou sexualidade, é um direito básico. Mas é inegável que ele ainda exista.

A Califórnia aprovou uma lei de salários igualitários em outubro do ano passado - depois de pressão da indústria do entretenimento. Mas, esta semana, o Reino Unido foi apontado como um dos piores países no que diz respeito à paridade de salários de homens e mulheres - as que não têm filhos recebem 7% menos, e as com crianças, 21% menos.

Explicando que sua personagem, Claire Underwood, é estatisticamente mais popular que o de Kevin Spacey, Robin revelou que fez seus chefes aumentarem seu pagamento, equiparando os salários dos dois atores.

"Eu disse: 'Melhor me pagarem ou vou a público'", afirmou a atriz. "E eles pagaram."

Parabéns a Robin por pressionar seus superiores, mas este detalhe adicional traz consigo um fato inevitável: ela tinha uma carta na manga que é reservada aos privilegiados.

Robin deve (com razão) significar muito para os chefões da TV, pois ela recebe 5,5 milhões de dólares por temporada de House of Cards, mas, segundo a própria atriz, ela teve de fazer ameaças para receber o que era seu por direito. As mulheres comuns não têm essa alternativa.

Jennifer Lawrence se viu numa posição parecida, quando emails vazados da Sony revelaram que ela recebeu menos que outras estrelas de Trapaça. Ela só teve garantias de que isso não aconteceria de novo quando o assunto tornou-se público.

Ainda assim, ela foi alvo de críticas. Alguns questionaram se ela realmente merecia receber o mesmo que os outros atores (spoiler: sim, ela merecia). Outros debateram se a atriz deveria dedicar-se a uma causa mais nobre.

É muito comum que estrelas sejam crucificadas por atacar questões "sérias" ou "feministas". Mas a realidade é que elas têm o poder de colocar certos temas sob os holofotes, algo que nós não temos como fazer.

As mulheres são apenas um grupo cujas vozes costumam não ser ouvidas. Sinceramente, deveríamos comemorar quando pessoas em posição privilegiada, e que têm a atenção do público, levantam essas questões.

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost UK e traduzido do inglês.

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