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O Brasil não tem mais o direito de boicotar o futebol feminino

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marta soccer

O menino Bernardo tem uma longa vida pela frente e ele já sabe o que quer: uma camisa de Marta, a nossa camisa 10.

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Aos que não acompanhavam - pela idade ou por desinteresse -, não é de hoje que as meninas do futebol são o que são.

Que tal as medalhas de prata obtidas nos Jogos Olímpicos de 2004 realizados em Atenas e em 2008, em Pequim?

Marta foi cinco vezes a melhor do mundo, afinal.

Salta aos olhos do torcedor comum - e também daqueles mais apaixonados e cansados dos desmandos e falcatruas da CBF - o quanto as jogadoras brasileiras se entregam.

É muita luta, é muito suor, é muita bola dividida para pouca cera e simulações de quem se machucou, mas só está fingindo.

Sobra autenticidade às meninas. Da goleira Bárbara até a matadora Beatriz, o que não falta é pulmão e vontade de vencer.

Com tudo isso, o futebol feminino nunca engrenou por aqui.

Nem mesmo a Medida Provisória (MP) 671/2015, assinada pela presidente afastada, Dilma Rousseff, conseguiu fazer a coisa andar. Na MP, há uma expressa contrapartida para os clubes endividados que querem ter suas dívidas refinanciadas pelo governo federal.

A contrapartida? Investimento dos clubes de futebol nas categorias de base e no esporte praticado pelas mulheres em troca de terem seus débitos renegociados.

Na época, disse a então presidente:

"Eu assumi com a Marta e com todas as jogadoras o compromisso de apoiar o futebol feminino, para romper com a precariedade que reina atualmente. Promessa esta que espero estar cumprindo. Todos nós temos de nos esforçar na medida em que o futebol feminino está na agenda internacional e também deve estar na agenda nacional."

Resultado: choradeira geral dos clubes.

Ou seja: os clubes de futebol masculino completamente afundados em dívidas reclamam que o futebol feminino não faz receita, não tem torcida. Os mesmos clubes que chegam a cobrar R$ 100 para um lugar de arquibancada descoberta e acabam com estádios vazios em jogos importantes e decisivos.

Vamos ao ponto: o país de Pelé é o país de Marta agora. Será que um produto bem pensado não passa a ser superavitário?

Como nunca antes, a procura por uniformes das meninas passa a valer de verdade.

Com o desempenho sonolento e abaixo de qualquer crítica, o futebol olímpico masculino perdeu os holofotes. As críticas da imprensa - sempre tão pronta a aliviar para Neymar - também deram um empurrãozinho.

O futebol, até aqui, é totalmente delas na Rio 2016.

Mas a eterna dificuldade dos atletas de buscar uma alternativa e um time que nunca parece estar pronto para a adversidade são outros ingredientes que só fizeram o futebol feminino ganhar status de amor nacional.

No final das contas, lá estão as meninas novamente fazendo bonito em campo, ainda que contra tudo e contra todos. Na base da resistência, da raça.

E são essas atletas quem dão aos nossos dirigentes e empresários uma nova chance de fazer o futebol feminino florescer.

É que já não faz nenhum sentido que tanta vontade de nossas atletas - e do público - sofra um novo boicote.

Pelo bem do futebol brasileiro, as donas das bola devem ser as mulheres. Até o pequeno Bernardo já entendeu como as coisas vão ser daqui para frente.

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