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De Chapecó veio uma faísca de solidariedade. Que seja para ficar

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Meu pai sempre deixou a televisão ligada no futebol. Na minha infância lá nos anos 90, pouco importavam os times para o meu velho. Se fosse o Corinthians, claro, aí era caso sério. Mas a verdade é que o futebol sempre bastou.

Importava o essencial: um jogo em que 22 pessoas correm até encharcar a camisa de suor, com vontade, com apreço. Melhor ainda quando surge um lastro de habilidade.

É aquilo: Dá para ser campeão com grupo desunido, mas é bem mais fácil chegar lá quando os jogadores se defendem, se doam, botam a perna na dividida um pelo outro.

Se a torcida compra a ideia da equipe, melhor ainda. Uma região inteira? Golaço!

A Chapecoense, finalista da Copa Sul-Americana, era um desses times. Degrau atrás de degrau, vitória atrás de vitória. Veio da Série D à Série A, passo atrás de passo. Em campo, sem virar a mesa.

Não sou eu, são-paulino até o osso, quem diz. São os próprios torcedores da Chape quem falam sobre o sentimento de união.

Felizmente, na esteira da grande tragédia do esporte brasileiro surgem sinais de final de letargia. Quiçá um tantinho de união.

Em nota oficial, os adversários seculares Corinthians, Santos, Palmeiras e São Paulo aderiram a um movimento que prega solidariedade à Chape.

Os grandes paulistas prometem empréstimo de jogadores. Há ainda o pedido para que a equipe catarinense não seja rebaixada nos próximos anos, respeitando a injustiça da tragédia desta madrugada.

Informa a ESPN que o campeão Palmeiras já pediu à Confederação Brasileira de Futebol (CBF) para vestir-se de Chapecoense na última rodada do Campeonato Brasileiro.

Com isso, a faixa no peito dos palmeirenses seria também a faixa no peito de Chapecó.

Aliás, falando nisso, o Atlético Nacional, que enfrentaria a Chapecoense na grande final sul-americana, merece todos os cumprimentos. Desde que começou o turbilhão de tristes notícias, os colombianos de Medellín já se prontificaram a declarar os rivais sul-americanos como campeões. Estão empenhados nisso.

Nuestros hermanos publicaram em seu site oficial:

"A dor toma conta dos nossos corações e invade de luto nosso pensamento. As horas têm sido lamentáveis, e nós estamos consternados com a notícia que nunca quisemos ter escutado. O acidente dos nossos irmãos do futebol do Chapecoense nos marcará por toda a vida e, desde já, deixará um inesquecível vazio no futebol latino-americano e mundial. Tudo isso tem sido completamento inesperado; por isso, a dor. Tratavam-se todos eles, os jogadores, corpo técnico, jornalistas e tripulação, de pessoas com muitos sonhos... Por isso, o pranto".

E também teve o convite para os torcedores colombianos irem ao estádio vestidos de branco em sinal de solidariedade:

Perdeu a Chapecoense. Mas, até aqui, venceu a solidariedade e o futebol em que os clubes surgem em segundo lugar.

Até o momento, quem perde é o clubismo, igualzinho o meu pai me ensinou décadas atrás. O esporte acima das paixões. A solidariedade como meio de vida e como linguagem esportiva.

Que a tragédia para Chapecó seja a união mais do que apenas num momento trágico como hoje.

O nosso futebol merece bons e novos ventos solidários.

Mas, acima de tudo, que o Brasil saiba unir os polos opostos que já não se atraem. E que seja veloz. Tão veloz quanto a ascensão da inesquecível Chapecoense.

chapecoense
Cena que espalhou por Chapecó: consolo e ombro amigo

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