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O ministro, a maconha e a guerra que já nasceu perdida

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ALEXANDRE MORAES
ANDRESSA ANHOLETE via Getty Images
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Foi como se fosse uma verdadeira bomba. E, na verdade, é mesmo: O nosso ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, quer acabar com o comércio e o uso da maconha.

Segue o conteúdo do Estadão, o autor do furo:

O Ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, quer erradicar o comércio e uso de maconha no país. O objetivo integra os termos do Plano Nacional de Segurança, cujo conteúdo foi apresentado a especialistas e pesquisadores da área no início desta semana e já foi alvo de críticas. Para isso, Moraes pretende focar principalmente nas plantações em território paraguaio, considerado um dos principais exportadores do entorpecente no continente, mas há também o objetivo de realizar parcerias para combater laboratórios da droga na Bolívia e no Peru.

É o mesmo ministro que já apareceu, em vídeo viral, cortando no facão uma dezena de pés de maconha. O caso foi relatado por diversos veículos, você deve se lembrar.

Após o turbilhão de críticas, o ministro negou o conteúdo das reportagens, disse que não pretende acabar com a maconha em território brasileiro. Disse que seu foco será contra o tráfico.

Enquanto isso, neste mesmo Brasil, a Anvisa caminha para normatizar a venda de medicamentos com compostos da maconha. Famílias garantem, na Justiça, o direito de plantar a erva para ela seja usada como um efetivo medicamento contra uma série de convulsões e demais problemas relacionados com a epilepsia.

Bem, mais 8 estados norte-americanos decidiram, por voto popular, abrir-se à maconha, medicinal ou recreativa.

E não é só:

2016 foi o ano também em que até mesmo as Nações Unidas (ONU) viram a necessidade de deixar bem claro o novo momento para as substâncias criminalizadas por décadas numa guerra que deixou mais vítimas do que soluções.

Em relatório publicado em março, o Painel Internacional de Controle de Narcóticos (INCB) da entidade internacional mais importante destacou que o bem-estar e a saúde das pessoas "devem estar no centro das políticas de drogas".

Destaca a ONU:

Em seu relatório anual, o Painel Internacional de Controle de Narcóticos (INCB) - organismo independente que monitora a implementação das convenções internacionais das Nações Unidas sobre o controle de drogas - destacou que os tratados internacionais de controle de drogas não autorizam uma "guerra às drogas".

Juan Manuel Santos, presidente da Colômbia, recebeu o Nobel da Paz dias atrás, neste mês de dezembro. No discurso, um aviso de quem viveu como poucos o flagelo da guerra perdida.

"Temos autoridade moral para afirmar que, após décadas de luta contra o narcotráfico, o mundo não conseguiu controlar este flagelo que alimenta a violência e a corrupção em toda nossa comunidade global", afirmou, em Estocolmo, relata o El País.

Para depois concluir: "A guerra contra as drogas é igual ou até mais danosa que todas as guerras juntas travadas no mundo. É hora de mudar nossa estratégia".

Pena o nosso ministro não ter aberto os ouvidos. Ou ter fingido ser surdo para o inevitável: a guerra que ele pensa em empreender já nasceu perdida.

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