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Foi um prazer mostrar ao mundo o Brasil de Flavinha, Rafaela, Isaquias, Serginho e da tubaína

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serginho

O Brasil já estava em festa com o futebol masculino passando pela Alemanha, na raça e na garra, mas também com sorte de campeão e mão salvadora de Weverton, goleiro nascido no Acre, que mostra que existe e vale ouro.

Mas, a Rio 2016 foi um deleite aos olhos e um arraso para o coração. Maicon Siqueira, ex-pedreiro e ex-garçom, venceu, com alguma certeza, a medalha mais inesperada do Time Brasil nesta edição dos Jogos.

A vitória do atleta do taekwondo veio a 5 segundos do final, numa virada ainda mais fantástica. Os olhos encheram d'água, o peito encheu de orgulho.

O Brasil da superação foi o Brasil que garantiu um sucesso bastante considerável nesta Olimpíada. Maicon foi a cereja no bolo de uma exibição brasileira inédita nos Jogos: 19 medalhas, sendo 7 de ouro, 6 de prata e 6 de bronze.

A equipe de vôlei de Bernardinho foi outra que soube ser fria quando o perigo era eminente e grandiosa quando a vitória estava por vir. Em uníssono, um nome estava na boca de atletas e treinador dourado: Serginho, o líbero quase aposentado.

Serginho estava fora do time, fora dos próprios planos de uma Olimpíada e vendo sua equipe afundar de maneira melancólica na primeira fase do torneio mais importante do vôlei mundial.

Ao som de "Serginho é o nosso rei", o líbero deixou a camisa no chão, para a posteridade. Wallace, outro que voou baixo na campanha, lembrou o puxão de orelha do líder brasileiro.

"Ele merece. Aquilo que ele falou nos tocou bastante: que ele não teria outra chance e que nós teríamos. Esse título é totalmente dedicado ao Serginho".

O Brasil de Serginho, de Pirituba, da dificuldade, de enfrentar a fome, as chances adversas foi um Brasil extremamente bonito de acompanhar na Rio 2016.

diego hypolito

"Eu falei 'cara, eu estou me sentindo na UTI, então nessa Olimpíada eu vou lutar pela minha vida, para sobreviver, e vocês vão lutar para me tirar dessa UTI'. E os caras fizeram isso, eles entenderam. Porque era minha última Olimpíada, era a minha última tentativa de ser bicampeão olímpico. Querendo ou não, a maioria deles têm outro ciclo olímpico, todos eles têm", disse Serginho, já com sua segunda medalha de ouro no peito.

Como é ser um dos maiores atletas da história do vôlei? "Não muda nada. Na segunda eu vou tomar tubaína. Será tudo igual", respondeu ainda antes da grande final contra a Itália.

Rafaela Silva, nosso primeiro ouro, foi talvez o que mais me emocionou. Da Cidade de Deus, do judô brasileiro e da virada pessoal das mais marcantes. Eliminada em Londres por um golpe irregular e ouro em casa, abrindo com chave de ouro nossa campanha em casa.

Chegamos então ao canoísta Isaquias Queiroz, maior medalhista brasileiro numa só edição. Ubaitaba, a cidade das canoas em tupi-guarani, forçou com naturalidade o talento deste que é nossa maior estrela para Tóquio 2020. Isaquias saiu de uma peneira natural de 20 mil habitantes a 370 km de Salvador. Foi grande, foi forte, foi intenso. Com carisma e um topete que parece saído de um desenho da Disney.

Cabem na conta ainda tantos outros atletas que passaram longe das medalhas tão merecidas. O que dizer de Formiga, a volante brasileira que joga como se disputasse a última partida da vida? Entrega-se, derrete-se em suar, dá o corpo e alma em todas as divididas.

Isso tudo em sua sexta Olimpíada, beirando os 40 anos. "Se o ouro não veio para as meninas do futebol, azar do ouro", dizia um texto que li no Facebook. O esporte tem dessas coisas também. O coração pode acabar em frangalhos quando toda a energia está ali para fazer o esforço virar ouro.

Flavinha Saraiva, Martine Grael, Robson Conceição, Diego Hypólito, Thiago Braz, Mayra Aguiar... Quanta coisa boa para lembrar. Quanta história feita na frente dos nossos olhos.

Prazer também foi ver Simone Biles, Katie Ledecky, Usain Bolt, Michael Phelps, e tantos outros astros que desafiam a física, a lógica e até mesmo a gravidade.

A Olimpíada segue para Tóquio agora. Mas não dá para negar que se a tocha olímpica tivesse vida própria, talvez ela decidisse ficar por aqui. Só para aproveitar mais um pouquinho da festa. É possível até que se acostumasse com uma vaia ou outra fora do lugar, fora do momento.

E, olha, bem que uma nova Olimpíada seria bem-vinda.

flavia saraiva