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Que todas as peças deste jogo político caiam

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ASSOCIATED PRESS
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Eis um momento inédito na história.

Em exatos sete dias, a República Federativa do Brasil afastou da presidência da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, cassou um senador e ex-líder do governo no Senado, Delcídio do Amaral e, agora, votou sim para o afastamento da presidente da República, Dilma Rousseff.

É hora de clarearmos o que está em andamento e não deixarmos margem para desonestidade intelectual, de quem quer que seja.

Luiz Inácio Lula da Silva escreveu páginas históricas, de fato. Méritos à parte, para o bem ou para o mal, foram dele as decisões que ditaram o ordenamento político do Brasil, entre 2003 e 2016.

Definiu seus sucessores e, agora, se vê diante das consequências.

A história lhe ensinará que um livro escrito nem sempre será um livro fechado.

Não sou, politicamente falando, de direita. Entretanto, também não sou ignorante.

É importante desenharmos o que a história hoje narra, para que até mesmo o mais mal intencionado perca sua capacidade de manipulação.

Michel Temer foi escolha de Lula e um de seus aliados mais próximos, entre 2006 - ano de chegada do PMDB à base do Partido dos Trabalhadores, e 2015.

Nesse contexto, passamos por momentos ímpares, em que nem o mais fervoroso militante esquerdista consegue defender.

Relembrar é viver: nesse percurso, assistimos à escolha do vice de Dilma em 2010, cedida ao PMDB na figura de Temer, do apoio ofertado pelo PT a José Sarney, nas eleições para a Presidência do Senado em 2009 e 2011 e, na sequência, o apoio mantido pelo Partido dos Trabalhadores, dessa vez para a presidência de Renan Calheiros.

Não há governabilidade que justifique trazer para o centro de um governo, algumas das mais execráveis figuras da história de nossa República.

Em 2002, tínhamos 21 ministérios; em 2012, o número chegou a 39 - única estrutura de governo, no mundo, com tal inchaço.

Dilma Rousseff, aliás, trocou seus ministros exatas 86 vezes, recorde esse que certamente não será batido.

Não há República que fique em pé com tamanho desprezo à máquina pública.

Aliás, vale lembrar aos seus 54 milhões de eleitores - número inferior aos 88,3 milhões de eleitores brasileiros que não votaram em sua coligação, diga-se: o voto não é o único instrumento democrático.

O simples fato de alguém ser eleito não garante seu livre exercício de mandato, para a infelicidade do ego ideológico de alguns. Temos leis, regras, normas, estatutos, ritos e procedimentos a seguir, seja você vereador, deputado, senador ou presidente da república.

Tenho, por princípio, ser oposição a um governo. Como pré-requisito, basta que ele seja governo, e isso não significa optar por ações que o prejudiquem, e sim deixar de lado aplausos e confetes a quaisquer governantes.

O mais digno, ao meu ver, é mantermos olhos e ouvidos de pé, direcionados a quem quer que sente na cadeira de presidente (que ao contrário do que disse Dilma, não é uma cadeira dela, e sim do País).

Portanto, sejam bem-vindos à oposição, os que até aqui, por amor a uma camisa, foram defensores de Dilma Rousseff. Mas aprendam: amar um político é démodé. Não vivemos em tempos de Estadistas e grandes líderes.

Não limitemos o enterro de nossos malfeitores à cova rasa.

Que as investigações cheguem a Michel Temer, Lula, Aécio Neves, Geraldo Alckmin, Renan Calheiros e todos aqueles que jogam o jogo da política.

Não vai me doer, em nada, ver peça por peça cair, se seus atos forem condenados.

Sugiro que não doa a vocês também, porque Cunha, Delcídio e Dilma têm venenos antimonotonia; já o cidadão comum, se limitará a perder amizades e amores no fervor do embate crítico.

Boa sorte ao Brasil.

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