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Cassar o mandato de Eduardo Cunha ainda é pouco

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EDUARDO CUNHA
Adriano Machado / Reuters
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Oito meses depois de os partidos PSOL e Rede darem entrada na representação contra o deputado afastado Eduardo Cunha no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados, o processo finalmente chegou ao final, após dezenas de manobras de Cunha e seus aliados para atrasá-lo.

Diante da quantidade de manobras, inclusive com a troca de membros do Conselho que teoricamente votariam contra Cunha por membros que teoricamente votariam a favor, a expectativa era que o deputado afastado escapasse do parecer pela cassação do mandato.

Acontece que ninguém contava com uma reviravolta digna dos melhores livros, filmes e novelas: dois deputados que supostamente votariam a favor de Cunha votaram contra.

A maior surpresa foi o voto do deputado-showman Wladimir Costa (Solidariedade), que, minutos antes de votar a favor da cassação, chegou a falar em "decência" de Eduardo Cunha.

Agora falta pouco para que o pedido de cassação seja votado pelo plenário da Câmara dos Deputados. O deputado afastado tem até o dia 23 de junho para apresentar recurso à Comissão de Constituição de Justiça, o que pode levar a uma anulação do processo no Conselho de Ética.

Ainda que essa possibilidade seja aparentemente remota, imprensa e sociedade precisam ficar atentas ao que está acontecendo - e ao que pode acontecer - na CCJ.

Assim como conseguiram interferir no Conselho de Ética, Eduardo Cunha e seus aliados podem também exercer influência nos trabalhos da CCJ. A propósito, o atual presidente da CCJ é o deputado Osmar Serraglio (PMDB), aliado do presidente afastado da Câmara.

Caso o deputado afastado não seja bem-sucedido em suas manobras, a previsão é que aconteça em julho a votação em plenário do pedido de cassação do seu mandato.

Mas a cassação de Eduardo Cunha não deve ser o ponto final dessa história. Com seu extenso currículo de participação em escândalos de corrupção - Telerj, Furnas, Porto Maravilha, Lava Jato -, Cunha certamente tem informações valiosas para fornecer à justiça brasileira.

Há quem diga, inclusive, que uma eventual delação de Eduardo Cunha pode atingir cerca de 150 parlamentares.

Dessa forma, além de cassado, Eduardo Cunha deve ser preso, para esclarecer e responder perante a lei pelos diversos crimes que cometeu.

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