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Dilma Rousseff ainda não pediu desculpas

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DILMA ROUSSEFF
VANDERLEI ALMEIDA via Getty Images
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E então aconteceu o que todos sabiam que iria acontecer: a presidente Dilma Rousseff foi afastada do exercício do mandato pelo Senado. Com isso assume, interinamente, o comando do governo federal o vice-presidente Michel Temer.

O afastamento é consequência da admissibilidade do processo de impeachment pelo Senado. Agora, a presidente Dilma será efetivamente julgada pelos senadores, que terão no máximo 180 dias para concluir o julgamento e decidir se ela será cassada ou se será absolvida e poderá retorna à presidência.

Diante desse novo quadro, o futuro fica mais incerto. Porque o desfecho não dependerá somente da vontade da maioria dos senadores. Se assim fosse, poderíamos sacramentar desde já o não retorno da presidente Dilma. Entretanto, muitas variantes podem influenciar essa nova fase do processo de impeachment.

Se o vice-presidente não conseguir grandes êxitos no início de seu "mandato", a situação econômica e política do País, que já é grave, ficará ainda pior. Além disso, há a possibilidade de a operação Lava Jato provocar a queda de membros da cúpula do PMDB, inclusive alguns ministros já escalados para compor o governo Temer, como Romero Jucá e Geddel Vieira Lima.

Como se isso já não fosse suficiente para pressionar o mandato interino, o próprio Michel Temer pode ser implicado em novas denúncias de corrupção, pois o vice-presidente foi citado por delatores da Lava Jato.

Não se pode, também, descartar a possibilidade de ficar comprovado, como afirmam os governistas, que a operação Lava Jato sempre esteve contaminada por motivações políticas, e seu objetivo seria, desde o início, derrubar o governo petista. Tampouco pode-se descartar a possibilidade de a presidente Dilma conseguir provar que não cometeu nenhum crime de responsabilidade.

Trocando em miúdos: a instabilidade política continuará. A diferença é que, diferente da presidente Dilma, que vinha sendo sabotada desde o final de 2013 por parte do PMDB, Michel Temer conseguirá ter alguma governabilidade.

A maior crise da história?

Está na moda dizer que o Brasil enfrenta a pior crise de sua história. Não bastasse esse impeachment fabricado, que tem como pilares a sabotagem do PMDB, as manobras de Eduardo Cunha e o instinto de sobrevivência de políticos corruptos assustados com as investigações de corrupção, a oposição inventou essa mentira.

Nos últimos meses, muita gente repetiu esse discurso, mas basta olhar para trás para descobrir que isso não passa de uma grande mentira. Inflação (12,53% em 2002; 9,28% no acumulado dos últimos 12 meses), desemprego (12,6% em 2002; 10,2% este ano), índices sociais e até mesmo alguns econômicos, tudo já foi, em algum momento - e me refiro aqui ao período pós-ditadura - muito pior do que é agora.

Se a justiça for realmente feita, a presidente Dilma Rousseff retornará à presidência do País dentro de alguns meses. Caso isso não aconteça, caberá aos bons historiadores registrar, nos livros, a grande injustiça sofrida pela presidente.

Sandálias da humildade

Pouco depois de receber a notificação do afastamento do exercício da presidência, Dilma Rousseff fez um pronunciamento. Nele, declarou, mais uma vez, que é inocente e, em certo momento, disse "posso ter cometido erros, mas não cometi crimes".

A presidente, classificada por muitos como "arrogante", poderia ter feito mais e melhor. Em vez de dizer "posso ter cometido", deveria ter dito "cometi erros", e tê-los listado. Além disso, deveria, também, ter pedido desculpas à nação pelos erros que cometeu - que não foram poucos.

Esse pedido vem sendo exigido por muitos há muito tempo, e é simples de ser feito. Basta vontade e um pouco de humildade. Inexplicavelmente, a presidente continua se recusando a fazê-lo.

LEIA MAIS:

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