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O Brasil sempre foi de uma minoria

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O Partido dos Trabalhadores, quando chegou ao governo federal, em 2003, deu prosseguimento à política econômica neoliberal do presidente Fernando Henrique Cardoso, do PSDB, e manteve o famoso tripé econômico do tucano: meta de inflação, câmbio flutuante e superávit primário.

Foi assim que, durante os anos Lula e os primeiros anos Dilma, os ricos ficaram mais ricos, e o País cresceu uma média de 4% por ano, nos governos Lula, e uma média de 2,1% por ano no primeiro mandato de Dilma - apenas um pouco menos que a média anual de crescimento do PIB dos anos FHC, que foi de 2,3%.

A maior diferença, entre os governos petistas e os dois mandatos do tucano, foi o aperfeiçoamento dos programas sociais, com a unificação de vários benefícios em um só, o Bolsa Família, sendo o maior destaque.

Paralelo a isso, outras coisas aconteceram, como a expansão de parcerias econômicas no exterior e a onda gigantesca de crescimento econômico da China, que refletiram de maneira muito positiva em nossa economia.

Em 2008, o ex-presidente Lula se deu o luxo de dizer que a crise internacional eclodida naquele ano - e que se arrasta até hoje, é só olhar para o mundo sem paixões ideológicas - não nos atingiria, e que, se aqui chegasse, seria uma "marolinha".

De fato, foi o que aconteceu. Naquele ano, o PIB brasileiro cresceu 5,17%. Em 2009, fomos atingidos pela "marolinha", houve uma retração na economia e o PIB foi negativo, com uma queda de 0,33%. Mas, no ano seguinte, o crescimento foi de impressionantes 7,53%.

Nesses anos, muitos dos que hoje bradam contra Lula, Dilma e o PT andavam felizes, esbanjando dinheiro no Brasil e no exterior. Empresários e banqueiros, então, nem se fala. Nunca antes na história deste país os bancos lucraram tanto, e nunca antes grandes empresários conseguiram tantos empréstimos polpudos a juros baixíssimos no BNDES.

Os que hoje gritam "nossa bandeira jamais será vermelha", dizem vão "tomar o Brasil de volta" e falam em comunismo se esquecem de um fato óbvio: se estamos passando por uma grave crise econômica - mas que não é, nem de longe, a pior já vista por aqui, como adoram alardear os apocalípticos e alguns mal-intencionados - e por uma grave crise política, é justamente porque os governos petistas se amalgamaram com as maiores forças capitalistas e fizeram alianças com as forças políticas que sempre atravancaram o avanço do nosso país.

Como diz o ditado, tudo demais é veneno, e o amálgama entre o PT, as oligarquias e os plutocratas foi tão profundo que, em certo momento, essas relações se demonstraram promíscuas além da conta. O resultado é tudo isto que estamos vendo agora: contas públicas em frangalhos, sistema político agonizante, elite irritada e os mais pobres passando por dificuldades gravíssimas, devido a inflação e desemprego crescentes.

Várias bandeiras que a esquerda defende, como uma carga tributária mais justa, uma reforma previdenciária que esteja atenta aos mais desfavorecidos, uma reforma política que aprimore o sistema político, e, claro, melhores educação, saúde e segurança pública foram deixadas de lado. Nada disso foi prioridade para o Partido dos Trabalhadores.

Lula e companhia optaram por tentar agradar a gregos e troianos, e até conseguiram fazer isso por algum tempo, é verdade, mas esqueceram-se de que, no nosso país, existe uma parcela minoritária da população que pode passar muito bem com o tal do "Estado mínimo", mas existe uma parcela, a maioria, que precisa do Estado mais presente. Se, por um lado, essa parcela não chegou a ser esquecida, por outro ela foi colocada, como sempre, em segundo lugar, e, como sempre, ficou com as sobras.

O Brasil nunca foi, e nunca vai ser, dos petistas. O Brasil sempre foi, e continua sendo, de uma minoria. A minoria extremamente rica e poderosa que dita os rumos deste país há séculos. Portanto, essa história de "vamos tomar o Brasil de volta" é uma grande bobagem.

Esse mesmo discurso estapafúrdio tem sido utilizado pelos eleitores do bilionário Donald Trump, o abjeto candidato do Partido Republicano à presidência dos Estados Unidos. A respeito disso, o ex-apresentador de TV Jon Stewart disse o seguinte, em participação especial no programa de Stephen Colbert:

"You just want that person to give you your country back, because you feel that you are this country's rightful owner. The only problem with that: This country isn't yours. You don't own it. It never was. There is no 'real' America. You don't own it. You don't own patriotism."

"Você apenas quer alguém para dar de volta a você o seu país, porque você sente que você é o dono de direito do país. O único problema com isso é que este país não é seu. Ele não te pertence. Nunca pertenceu. Não existe uma América "real". Você não é o dono dela. Você não é o dono do patriotismo."

(livre tradução)

Com o assustador crescimento de discursos retrógrados e fascistas no Brasil, essa fala de Stewart cai muito bem por aqui.

O Brasil não é de alguns ou de outros. Ninguém é mais ou menos brasileiro porque vota neste ou naquele partido. O Brasil não é de ninguém, e, ao mesmo tempo, é de todos nós.

De todos nós. Não de uma minoria.

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