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Perde-se um deputado, ganha-se um escritor: O futuro incerto de Eduardo Cunha

Publicado: Atualizado:
EDUARDO CUNHA
Ueslei Marcelino / Reuters
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O Brasil perdeu um deputado, mas ganhou um escritor.

Na entrevista coletiva logo após a sua cassação, o agora ex-deputado Eduardo Cunha anunciou que escreverá um livro sobre o impeachment de Dilma Rousseff, revelando inclusive as conversas que teve com vários políticos sobre o assunto.

Perguntado por um jornalista se ele havia gravado essas conversas, Cunha afirmou que não. "Eu tenho uma boa memória", disse o ex-deputado.

Na mesma entrevista, Cunha declarou que um dos fatores determinantes para a sua cassação foi o fato de a Rede Globo e o Partido dos Trabalhadores terem se unido contra ele. Caso aborde esse assunto em seu livro, teremos a garantia de algumas páginas dedicadas ao humor.

Conhecido por suas mentiras - mesmo depois de inúmeras provas terem sido reveladas, Cunha continua afirmando não ter contas na Suíça -, Eduardo Cunha dará trabalho a editores, críticos e livreiros. Afinal, como classificar sua obra vindoura? Autobiografia, ficção ou sátira? Saberemos a resposta dentro de alguns meses, se ele realmente levar a ideia adiante. Afinal, pode ser mais uma de suas lorotas.

A única certeza, por ora, é que não há certeza alguma. O futuro do ex-deputado ainda é incerto e, por isso, precisamos ficar atentos aos próximos capítulos dessa novela.

Isso porque, ao perder o foro privilegiado, as ações que tramitam contra Cunha no Superior Tribunal Federal vão para um juizado de primeira instância, o que pode acabar beneficiando o ex-deputado.

Essas ações podem parar nas mãos do juiz parcialmente implacável Sérgio Moro, responsável pelas ações decorrentes da operação Lava Jato. Até agora rigoroso apenas com pessoas ligadas ao Partido dos Trabalhadores, Moro terá a oportunidade de ser implacável com pelo menos uma pessoa ligada a outro partido.

Mas há um pequeno risco de essas ações caírem nas mãos de algum juiz do Rio de Janeiro, estado em que o PMDB, partido de Cunha, tem enorme influência. Caso isso aconteça, o processo de Cunha pode ser postergado infinitamente, e esse seria um dos piores cenários possíveis.

(O leitor deve imaginar qual seria o pior cenário, tanto para Cunha quanto para as investigações. Para não atrair falta de sorte, é melhor mantê-lo implícito.)

Não havendo manobras a seu favor, é provável que Eduardo Cunha seja preso nos próximos meses, o que daria a ele tempo e tranquilidade de sobra para se dedicar ao livro que planeja escrever.

P.S.: Um detalhe menor sobre a cassação de Eduardo Cunha, mas que merece ser destacado, é que os principais movimentos populares a favor do impeachment da presidente Dilma Rousseff não fizeram um protesto sequer contra Cunha. Dando nome aos bois: Movimento Brasil Livre, Vem Pra Rua e Revoltados Online.

LEIA MAIS:

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