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70 anos dos bombardeios nucleares: lembrando o inesquecível

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HIROSHIMA NUCLEAR
Photo 12 via Getty Images
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Hoje faz setenta anos que a cidade japonesa de Hiroshima sofreu um terrível bombardeio nuclear por parte dos Estados Unidos. Três dias depois, no dia 9 de agosto de 1945, outra cidade japonesa, Nagasaki, sofreu a mesma tragédia. Um fato bastante desassossegador dos bombardeios é que, em ambas as cidades, a esmagadora maioria das vítimas eram civis, e não militares combatentes. Os mesmos representaram a primeira e única vez na qual a bomba nuclear foi utilizada e direcionada à uma população civil.

Os ataques ocorreram no âmbito do fim Segunda Guerra Mundial e tinham como objetivo fazer o Japão sucumbir e finalmente render-se, uma vez que, mesmo após a rendição nazista em maio daquele ano, a guerra continuava viva e sangrenta no Pacífico. A real necessidade estratégica dos ataques para a rendição japonesa, sobretudo no que toca à segunda bomba, é no mínimo questionável. Os bombardeios serviam muito mais para sedimentar o posicionamento preponderante dos Estados Unidos no cenário internacional e para a sua afirmação frente à União Soviética.

Contudo, a sua destruição foi, e ainda é, mais do que perturbadora. Em Hiroshima, estima-se que 140.000 pessoas morreram, sendo 80.000 instantaneamente após o lançamento da bomba. Além disso, em um raio de dois quilômetros do centro da explosão quase todas as construções viraram pó. Já em Nagasaki, o número de mortos é relativamente menor, mas ainda assim assustador - estima-se que 74.000 pessoas morreram como consequência do bombardeio. Este número só é menor ao de Hiroshima pois a bomba direcionada à Nagasaki acabou sendo lançada a cerca de três quilômetros do alvo inicialmente planejado. Consequentemente, a explosão ocorreu em uma área de menor densidade populacional e acabou sendo em parte limitada por um vale e algumas colinas adjacentes, o que acabou por, mesmo que minimamente, restringir o seu dano.

Os ataques foram tão devastadores que levaram o imperador japonês Hirohito a anunciar a rendição japonesa, de modo incondicional, logo depois do bombardeio de Nagasaki, no dia 15 de agosto. Posteriormente, em 2 de setembro, o Japão assinou formalmente a sua rendição, a bordo do navio de guerra estadunidense USS Missouri ancorado na baía de Tóquio, o que levou ao fim da Segunda Guerra Mundial.

É precisamente por conta do assombro de suas consequências que os bombardeios nucleares não podem, de modo algum, ser esquecidos. Dois elementos que estão constantemente a nos lembrar dos mesmos são precisamente os Memoriais da Paz de Nagasaki e de Hiroshima. Este último foi a estrutura mais próxima do epicentro a resistir ao impacto da bomba lançada sobre a cidade e hoje é conhecida por Cúpula Genbaku. Esta foi mantida de pé, precisamente como ficou logo após o bombardeio - tendo apenas o esqueleto de sua estrutura original -justamente como um símbolo de que a capacidade destruidora das armas nucleares deve ser inesquecível.

O dia de hoje deve servir, também, para alertar que o cenário internacional ainda está muito longe do seu completo desarmamento nuclear. É bem verdade que existe o Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares. Contudo, o mesmo serve mais como um mero instrumento de regulação das mesmas do que como um mecanismo de sua completa erradicação, o que apesar de importante é limitado. O mesmo serve apenas como uma tentativa, até certo ponto malsucedida, dos países do centro do sistema internacional assegurem que tal poder destrutivo mantenha-se como uma exclusividade dos mesmos e, consequentemente, conservar a sua predominância dentro da política internacional.

Dentro de tal cenário, é preciso voltar a colocar no centro da discussão internacional uma questão que sempre esteve no âmago dos estudos para a paz - o desarmamento nuclear. Ao debater a segurança internacional, os estudos para a paz, em fina e constante sintonia com os movimentos sociais, sempre discutiram e buscaram o desarmamento no cenário internacional, sobretudo no que toca às armas nucleares. Portanto, ao lembrar, no dia de hoje, do inesquecível olha-se não somente para o passado mas também para o futuro. Lembrar o inesquecível é essencial para que, por um lado, ataques semelhantes não ocorram novamente, e para que, por outro lado, os mesmos tornem-se, de uma vez por todas, simplesmente impensáveis.

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