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A minha geração protesta nos copos da Starbucks

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Talvez possamos ligar diretamente a chegada do PT ao poder e o fato de o partido ter praticamente impossibilitado grandes lutas que foram, então, substituídas por questões mais pontuais (daí em parte explicamos o fortalecimento assustador de SJW (Social Justice Warriors) nos últimos tempos também ao fortalecimento de iniciativas simbólicas que eu considero eminentemente toscas e mesmo contraproducentes.

Este é só um exemplo: a terceirização de protesto que fica bonitinho em foto do Instagram e em textão de Facebook. Algumas pessoas resolveram dar um upgrade no que é chamado de "ativismo de sofá" e criar o "ativismo de Starbucks", aquele que constrange quem não tem nada a ver com a história, mas serve aos propósitos dito políticos do "ativista".


Este tipo de ativismo consiste na coisa mais singela possível, que é dizer ao pobre atendente da rede de cafés que seu nome é "Fora Temer" e força-lo, então, a gritar esta frase para que todos no local ouçam.

Um outro gênio do "protesto com o pau dos outros", me perdoem o termo, resolveu ao invés de forçar um atendente a dizer "Fora Temer", a gritar "Dilma Rousseff" e passar ridículo na frente de dezenas de pessoas.

Em 2013, milhares foram às ruas. Em 2015, as escolas foram ocupadas e outros milhares pelo País se mobilizaram e tem se mobilizado de forma autônoma diante de partidos e suas limitações atuais diante do cenário político que o Brasil enfrenta.

Isso é motivo de inveja e ódio destes mesmos partidos que, em 2013, defenderam a repressão - caso do PT e do PSeudoB - e mesmo, num grau abaixo, levou às críticas do PSOL aos Black Blocs, por exemplo. Já nas ocupações, UNE e UBES tentaram se apropriar dos protestos, mas também não tiveram sucesso.

Aqueles remanescentes no campo governista (hoje criptogovernista, mesmo necrogovernista) e os que voltaram a aderir a este campo passaram a inventar formas extremamente simbólicas de protesto. Simbólicas e, porque não, burras.

A terceirização de protestos, protestos absolutamente simbólicos, protestos que visam apenas fotos em redes sociais, mas que são sem absolutamente nenhum objetivo; protestos que passam longe de pautar qualquer forma de mudança social, enfim, protestos apenas para dizer que estão protestando - mesmo que terceirizando.

E vamos lembrar que este é o pessoal que achava um horror o panelaço como forma de protesto, mas não veem problema algum em expor trabalhadores ao ridículo.

Ocupar as ruas - sem estrutura partidária e pelega, claro - não é opção. Só o fazem pra ouvir Lula discursar e quando a CUT ou outra organização vendida contrata carro de som.

Nem falo em mobilização de movimentos sociais e etc porque os que restaram alinhados ao governismo foram esvaziados ao ponto de sequer saberem mais quem são ou pra que servem.

Tampouco posso falar em pressão parlamentar, já que o PT e o PSDB deixaram claro que preferem o próprio PMDB ou até o DEM à tomar atitudes reais em protesto contra o que enxergam como "golpe".

O mais triste nem é a posição dessa militância francamente fracassada, derrotada e perdida, é a insistência de outras forças comumente de oposição a tudo isso que se submetem ao ridículo e ficam batendo palmas pra maluco dançar.

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