Huffpost Brazil
BLOG

Apresenta novidades e análises em tempo real da equipe de colaboradores do HuffPost Brasil

Raphael Tsavkko Garcia Headshot

ISIS no Brasil: Conclusões precipitadas e desinformação

Publicado: Atualizado:
ESTADO ISLAMICO
Reuters
Imprimir

A Polícia Federal prendeu um grupo amador terrorista pego no Brasil tentando comprar armas no Paraguai e cometer algum atentado. Fizeram juramento ao Estado Islâmico, mas aparentemente não tinham contato direto com o grupo. Os 10 membros supostamente eram recém-convertidos ao islamismo. E esse é um dado importante.

Honestamente? Eu vejo o crescimento do islamismo no Brasil, em especial nas periferias, com preocupação. Não pelo islã em si, mas pelos neo-fiéis, em geral pessoas sem rumo, desesperadas, buscando sentido pra vida. Alguns vão ao islamismo, outros vão ao neopentecostalismo e nós sabemos o resultado disso: fanatismo, homofobia, intolerância, influência na política, cabresto eleitoral etc.

Agora imaginem só se, como pregam Bolsominions da vida, o porte de armas no Brasil fosse irrestrito como nos EUA? Qualquer grupelho amador teria capacidade de causar estragos imensos.

Mas detalhe: não vejo a religião em si como problema -- pese não ver com bons olhos o crescimento do islamismo nas periferias ou do neopentecostalismo. O problema é o fiel, são as razões pela procura dessas novas religiões, muitas vezes em vertentes radicais.

Pessoas vulneráveis precisam de muita coisa, mas sem dúvida não de seitas apocalípticas ou de lavagem cerebral. Se o País não tem capacidade de combater o fundamentalismo - que tem até espaço em TV e forte presença no Parlamento - imaginem então combater radicalização islâmica.

Digna de nota nesse caso é a velocidade com que certas alas da esquerda declaram que "é mentira". Que é armação e etc pra cima dos até então dez presos... Quem afirma que é mentira tem tanta base pra afirmar isso quanto quem já os condenou: nenhuma. A história está claramente malcontada, há informação mantida em sigilo e mesmo pontos que não batem, e isso pode levantar suspeitas, mas de forma alguma facilitar conclusões.

O Estado não é confiável - já chegou até a acusar o filósofo Bakunin, morto há quase 200 anos, de terrorismo no Rio -, o atual ministro da Justiça pode ter realmente aspirações políticas e é conhecido pela truculência, assim como o ministro da Justiça anterior, que ofereceu Força Nacional para reprimir protestos e apoiou a criminalização de manifestantes.

Ainda assim, não temos instrumentos para chegar a uma conclusão no caso específico. E, sejamos honestos, muitos dos que, por birra com o atual ministro, concluem que é tudo uma farsa têm igualmente razões políticas para fazê-lo e, quando no poder, não eram diferentes.
2016-07-21-1469129800-1098932-veja_vitor.jpg

A revista Fórum foi atrás da esposa de um dos acusados de terrorismo e, num show de péssimo jornalismo, simplesmente se "esqueceu" de questionar devidamente por que o acusado, Vitor Abdullah, saiu em uma foto, no Egito, com a bandeira do Estado Islâmico.

Ninguém questionou. Ninguém explica. Ele não sabia o que era a bandeira, era brincadeira?

Acho temerário que setores de esquerda saiam em defesa desses supostos terroristas dessa forma apenas porque o governo não é o da Dilma Rousseff (se fosse estariam aplaudindo e gritando que o governo maravilhoso aprovou a lei antiterrorista e está trabalhando pelo bem do País).

Se há suspeita de que você faz parte de uma célula terrorista, uma bandeira do ISIS é um agravante suficiente pra pedir prisão preventiva dentro da lei antiterrorismo da Dilma que caiu como uma luva pro governo Temer.

Ao ler rapidamente os perfis da turma alinhada ao PT, é fácil constatar que temem o uso político das prisões pelo ministro da Justiça numa possível candidatura ao governo de São Paulo. Preocupação legítima, mas suficiente para afirmar categoricamente que é tudo uma farsa - apoiada numa lei que a Dilma aprovou?

"Ah, mas não apresentaram provas convincentes."

Verdade, não apresentaram provas pra vocês (ou pra mim).

Apresentaram a um juiz, que liberou a prisão; logo, talvez haja algo ali, talvez não haja, não temos como saber - e nem como ficar tirando conclusões precipitadas ou entrar em um processo de vitimização.

"Entre as principais provas identificadas até o momento, há uma comunicação eletrônica na qual um dos integrantes do grupo conclama interessados a se organizarem para prestar apoio ao Estado Islâmico com treinamento já em território brasileiro. Foram também identificadas mensagens relacionadas à possibilidade de se aproveitar o momento dos Jogos Olímpicos para a realização de ato terrorista", aponta, em nota, a Procuradoria da República, no Paraná.

Os investigadores afirmam que alguns investigados já haviam feito o 'batismo' ao Estado Islâmico (bayat), 'juramento de fidelidade exigido pela organização terrorista para o acolhimento de novos membros'.

Eu deploro a lei antiterrorismo, mas ela existe e é válida até que o STF diga o contrário.

Temos, sem dúvida, que exigir que os direitos daqueles suspeitos sejam garantidos, que prevaleçam os direitos humanos. Mas afirmações categóricas pela inocência dos acusados são tão deslocadas e sem embasamento - e movidas mais por paixão que por qualquer outra coisa - quanto quem já os condena sem direito à defesa.

LEIA MAIS:

- Ameaça terrorista: Presos no Brasil fizeram juramento ao Estado Islâmico

- Prisão de supostos terroristas é justificativa para militarizar o Rio de Janeiro

Também no HuffPost Brasil:

Close
2015: Terrorismo
de
Post
Tweet
Publicidade
Post isto
fechar
Slide atual