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Reinventando o negócio do cafezinho

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Recentemente aproveitei uma viagem rápida ao Rio de Janeiro para conhecer o Curto Café. Trata-se de uma experiência extraordinária de nova economia e novos modelos de negócio. Antes de mais nada, o café é de excelente qualidade. É muito bem tirado pelo barista Sérgio, que explica o tipo e o ponto de torra e serve um espresso desses que dá vontade de repetir na hora.

Mas o mais interessante do Curto Café é a sua política de total transparência e de parceria com os consumidores, que são convidados a conhecer a natureza do negócio e a entender como suas compras ajudam a mantê-lo. Ou seja, não deixa de ser uma espécie do sociedade, na qual os consumidores recebem um produto e atendimento de alta qualidade, decidem quanto vão pagar por isso e entendem que é esta relação equilibrada que ajuda a manter a operação. Um negócio no qual todos ganham.

Os sócios penduraram três quadros negros na parede nos quais explicam de forma bem didática o processo de torra e a origem dos grãos e abrem a planilha de custos, incluindo uma demonstração gráfico do total vendido diariamente.

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Transparência total - consumidor sabe exatamente pelo que está pagando


Para comer, em um dos cantos ha uma mesa com uns brigadeiros e bolos caseiros deliciosos. O preço é sugerido (R$ 3,00), mas o consumidor paga o quanto acha que vale. A pessoa mesma faz o pagamento na caixa ao lado e pega o troco, se for o caso. Confiança total, ninguém fica vigiando.

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Café com bolo de banana caseiro: combinação irresistível


Como o negócio se sustenta? Como está escrito em um dos quadros, "só Deus sabe". Mas a equação é simples, como eles mesmos explicam: "o espaço e as pessoas que aqui trabalham se sustentam pela diferença entre o que as pessoas escolhem colaborar e o custo das coisas que consumiram".

E é isso mesmo. Um convite corajoso a que as pessoas deem o valor devido ao que elas acreditam que vale o que consumiram. Este "valor" é construído a partir de um patamar mínimo definido pelos sócios do Curto Café com base na planilha de custos, que é exibida de forma transparente.

A partir daí cada um decide quanto vai pagar, usando critérios subjetivos (a qualidade do que foi consumido e do atendimento prestado) e objetivos (por exemplo, a comparação com outras cafeterias da vida). Por exemplo, o pacote de 300g de café moído na hora custa para os sócios do Curto Café R$ 9,00. Com este valor como parâmetro, o consumidor decide quanto vai pagar efetivamente.

O que eu posso falar é que a experiência de consumir no Curto Café é muito superior à da maioria das cafeterias a que fui na vida. A qualidade do produto e do atendimento são muito acima da média e com certeza valer pagar mais do que o mínimo pedido. Valorizei muito a interação tranquila com os donos e a oportunidade de entender a cadeia de valor do negócio. Se você está no Rio ou vai para lá, vale muito a visita.

SERVIÇO
O Curto Café está localizado em um lugar meio inusitado, o mezanino do edifício garagem Menezes Cortes, na rua São José, 35, no Centro do Rio. Fica logo perto das escadas rolantes. Tem wi-fi aberta, sem necessidade de senha.

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Barista Sérgio empacotando café moído na hora