Huffpost Brazil
BLOG

Apresenta novidades e análises em tempo real da equipe de colaboradores do HuffPost Brasil

Rodrigo Borges Headshot

Filhos, cuidem de seus pais

Publicado: Atualizado:
Imprimir

2016-07-07-1467910411-6292165-Calmagente_Post2301.png

Nesses dias, vi uma reunião de tweets de filhos adolescentes reclamando de seus pais pelos mais diversos motivos. Mas, basicamente, estavam reagindo à falta de sincronia entre gerações a lares partidos ao meio pela separação. Dois casos trágicos, um mais que o outro.

Eu não sou pai ainda. Mas imagino que seja uma sensação gloriosa. Pelo menos, na maior parte do tempo. Com exceção da infelicidade pelas famílias desfeitas, o núcleo familiar é um refúgio de segurança e orientação em potencial. Eu tenho a sorte de ter um pai bastante presente em minha vida e, do lado do filho, sei o valor que isso tem. Vez ou outra, em conversas com ele, percebo o quanto ainda tenho a aprender, não apenas por aquilo que ele diz, mas pelo simples contato direto. A relação de confiança e o cuidado mútuo são fortalezas que a gente constrói ao longo da vida.

É difícil estar consciente disso cotidianamente. Mas li um poema há algumas semanas que me fez perceber com clareza a relação que um pai e um filho mantêm. Curiosamente, o poema revela a posição do filho, que passa a se enxergar também como um pai de seu pai. Eu acho que essa visão se alinha bastante com a minha. E, talvez, com você funcione da mesma forma. Eu traduzi o poema do Li-Young Lee, que nasceu na Indonésia, neto do primeiro presidente da República da China e filho do médico pessoal de Mao Tse-Tung. Desde os 7 anos, o poeta mora nos Estados Unidos, onde construiu sua carreira de poeta.

Paizinho
Li-Young Lee

Eu enterrei meu pai
no céu.
Desde então, os pássaros
limpam e penteiam-no todas as manhãs
e puxam o cobertor até o queixo
toda noite.

Eu enterrei meu pai sob o chão.
Desde então, as minhas escadas
apenas descem,
e toda a terra tornou-se uma casa
cujos quartos são as horas, cujas portas
ficam abertas à noite, recebendo
convidado após convidado.
Às vezes, eu vejo através deles
as mesas espalhadas para um banquete de casamento.

Eu enterrei meu pai no meu coração.
Agora, ele cresce em mim, meu filho estranho,
minha pequena raiz que não vai beber leite,
pezinho pálido afundado em inédita noite,
pequena mola de relógio recém-molhada
no fogo, pequena uva, pai do futuro
vinho, um filho fruto de seu próprio filho,
paizinho que eu resgato com a minha vida.

Poema original em inglês.

Não é lindo demais isso? Espero que sua relação com seu pai seja excelente. Mas, se não for, talvez você possa buscar inspiração para perceber que muito dessa relação vem do cuidado que você mesmo pode ter com seu pai. Mesmo que ele não tenha conseguido ter tanto cuidado assim com você.

LEIA MAIS:

- Senta, que lá vem a sua própria história

- Qual o tamanho do seu problema?

Também no HuffPost Brasil:

Close
34 momentos emocionantes de pais conhecendo seus bebês
de
Post
Tweet
Publicidade
Post isto
fechar
Slide atual