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Minha querida frustração

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A frustração é um sentimento desagradável demais. Eu tenho a sorte de, por alguma magia inexplicável, evitar nutrir expectativas com alguma facilidade. Pode parecer muito negativista, mas meu costume de pensar que as coisas vão dar errado me ajuda.

Como consequência, eu acabo trabalhando com a filosofia de "o que vier é lucro". Obviamente, não é em todas as situações em que consigo fazer isso. Em situações nas quais não consigo conter minha paixão - como relacionamentos, futebol e competições (videogame, por exemplo) - é mais complicado.

Mas não é todo mundo que tem a minha sorte. E, em meio a uma época de tantas oportunidades, o potencial de frustração cresce.

Por outro lado, os tempos atuais apresentam pessoas cada vez mais sensíveis, que chegam a comparar o conteúdo de textos de menos de 140 caracteres com agressões físicas. A união de oportunidades infinitas com a sensibilidade ainda promete fazer muitos estragos.

Por outro lado, a frustração tem o seu valor, porque ela nos prepara para a vida. Frustrar-se, muitas vezes, é lidar com o fato de que o mundo não está aí para atender aos nossos desejos. E é importante aprender isso desde pequeno.

Talvez, a frustração na infância seja um caminho para diminuir a frustração na vida adulta, que normalmente será mais longa e desagradável.

Ainda sem filhos, acompanho a dificuldade que é criá-los por meio de familiares, amigos e contatos aleatórios com estranhos.

Noto os diversos estilos de criação. Há pais mais amorosos, culpados, muito ausentes, pesquisadores, protetores, ignorantes, entre tantos.

Não há uma forma perfeita de se educar filhos. Mas a mistura da personalidade paterna com a da criança e o universo que ela ocupa pode resultar nas mais diversas consequências, sendo uma delas a superproteção.

Diversas vezes vejo pais correndo em direção a seus filhos após aquele tropeço. É curioso perceber como a criança, a depender da intensidade da queda, dá aquela olhadela para o lado para verificar se os pais irão se alarmar.

E, caso não haja alarde, é possível até que ela siga em frente tranquila, em busca da próxima queda. Pais esquecem, de alguma forma, que já foram crianças. Mas também desconsideram a importância que a frustração teve em seus processos de amadurecimento.

Talvez seja um tipo de feitiço da paternidade - que só conhecerei ao me tornar pai -, mas há algo aí.

Crianças que não aprendem que, às vezes, a gente perde podem acabar se tornando adultos bastante frustrados. Crianças que não aprendem a se defender, porque há sempre alguém as protegendo, também têm um potencial grande de frustração.

Eu confesso que não valorizava tanto as minhas frustrações juvenis. Mas hoje percebo o quanto elas me foram importantes, ainda que dolorosas.

Espero ter a maturidade e autocontrole suficientes para educar os filhos que espero ter de forma a respeitar suas necessárias frustrações infantis e juvenis. E desejo o mesmo para você.

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- E o tal do mundo não se acabou

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