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Ofereça o carinho que a violência desconhece

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Dias atrás, o Miguel, filho de um colega de trabalho, lançou a questão "o que é violência?". Responder esse tipo de pergunta é difícil. É preciso usar palavras acessíveis e simplificar conceitos complexos. Mas a clareza em relação ao conceito em si é o principal. Ainda que seja complicado recorrer ao dicionário a cada questão infantil, vale o esforço.

Uma busca na internet indica que a violência pode ser entendida como "ação ou efeito de empregar força física ou intimidação moral contra; comportamento que causa dano a outra pessoa, ser vivo ou objeto, invade a autonomia, integridade física ou psicológica e mesmo a vida". Eu disse ao Miguel que violência era usar uma força exagerada (e desnecessária) contra alguém - o contexto eram filmes de heróis, mais especificamente o Dead Pool -, física ou verbalmente (com palavras).

Depois de explicar, fiquei pensando. Por sorte, eu tenho pouco contato com a violência, com exceção de matérias de jornal, posts de mídias sociais e eventuais cenas cotidianas no trânsito. Mas ainda assim a violência tem impacto sobre mim. E percebo pessoas em meu universo de relacionamento nas quais o impacto da violência é bem maior, ainda que elas também não tenham experiências extremas. Ponho na conta da insegurança.

A busca desesperada por segurança está diretamente ligada a ações e reações violentas.

O mundo sempre foi um lugar inseguro, não por causa da potencial maldade humana ou coisa semelhante. Mas porque a nossa existência é um grande acaso. Vivemos em meio a uma série de acontecimentos aleatórios, que nos impactam por sorte ou azar. Aprendemos de geração em geração como nos proteger desses acontecimentos, mas não há como viver integralmente seguro. Essa insegurança potencial tem efeitos distintos a depender da personalidade de cada um de nós.

Instintivamente, agimos em defesa própria, nem que seja atacando os outros. Nesse sentido, inclusive, pessoas que acreditam ser boas podem ser violentas. Mesmo os pacotes completos do bom-mocismo e politicamente correto não impedem ninguém de se sentir inseguro. E ser violento. O pior nesses casos é que a violência ganha justificativas consideradas razoáveis por alguns.

Mais mas vez, em se tratando de violência, a responsabilidade é sua. Não há como reduzir a violência de forma massiva de uma hora para outra. Mas há como colaborar para um mundo menos violento cotidianamente. A violência começa e acaba em você. Isso não quer dizer que você deva se tornar alguém passivo que aceite o mundo como ele é; mas que você pode utilizar sua inteligência emocional para colaborar com a construção de um mundo menos violento.

Menos reações impensadas, mais atenção às pessoas que te rodeiam, mais reflexão sobre os reais motivos de seus problemas, menos fatalismo ou maniqueísmo são boas mudanças, de início. E, quando a violência chegar, receba-a com sabedoria, ponderando, quando for possível, e tentando não propagá-la. Miguel já sabe que violência é uma é uma ação com força exagerada (e desnecessária). Ao longo da vida, ele irá se deparar com diversas situações violentas. Que consiga lidar com a serenidade possível em cada situação. E desejo o mesmo pra você.

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