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Prometo julgar-te silenciosamente

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O preconceito e o julgamento são ferramentas básicas de sobrevivência, por meio das quais conseguimos tomar decisões estratégicas. Utilizando informações coletadas por nós mesmos, construímos cenários e agimos: fugimos do perigo, apostamos na vitória, resistimos aos desafios.

Não há um mundo no qual preconceito e julgamento não existam. Então, só nos resta aprender a lidar com eles.

Mas, ainda que seja impossível não julgar, ninguém gosta de ser julgado. É um saco mesmo. Muitas vezes, fazemos algo sem refletir e somos prontamente enquadrados como pessoas horríveis com frases que começam com "muito me admira você, fulano...". É a censura do dia-a-dia.

Pode ser impossível não julgar, mas é possível guardar o julgamento para si mesmo e evitar assumir a posição recorrente de censor. É preciso estabelecer critérios. Há situações em que o julgamento realmente precisar ser exprimido - com toda delicadeza demandada -, como na educação de crianças, em meio a processos de trabalho e, obviamente, na aplicação de leis. Por outro lado, há infinitos momentos nos quais é mais recomendável ficar calado.

Quando ouvimos a opinião política de um amigo, por exemplo. A depender do caso, você pode até discordar de posicionamento dele. Mas não é o censurando que você vai mudar a posição do ativista. Inclusive, o mais provável é que você reforce a posição do cidadão se julgá-lo. Julgar decisões pessoais também fica feio. Ainda mais aquelas que não têm volta: "não gostei do seu corte de cabelo", "eu faria essa tatuagem de outra forma", "eu teria comprado o carro azul", "eu não teria dito isso a ela".

Todo julgamento que fazemos não deixa de ser uma afirmação de quem somos. Em parte é reflexo de nossa própria insegurança e necessidade de imposição. É normal ser assim. Ainda que não seja muito agradável para quem ouve. Eu tendo a evitar ambientes em que estou disponível ao constante escrutínio coletivo. Não gosto de gente me dizendo que estou errado constantemente. E, na mesma medida, não gosto de ficar dizendo que elas estão erradas. Já parei até de frequentar ou me manifestar em alguns grupos de mensagens para evitar o desconforto. É chato, mas, às vezes, é o jeito.

De qualquer forma, assumindo meus próprios defeitos e incapacidade de não julgar, deixo uma promessa aqui: julgar calado até que me peçam a opinião. E, mesmo neste caso, medir as palavras quando for a hora de julgar alguém. É o mínimo que posso fazer.

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