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Quando algo quebra

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As coisas quebram. Seu celular, a boneca, o carrinho de brinquedo, o carro de passeio, os óculos escuros, o aparelho de som, a cadeira, a amizade, o casamento, o governo, a bolsa de valores, ih, tanta coisa. Tudo quebra. E dói quando acontece. Porque a gente quebra junto.

Então, a gente pensa que poderia ter sido diferente. Preferissem as empresas construir algo mais resistente a algo tão perecível, tivéssemos sido mais cuidadosos, soubéssemos que aquilo poderia acontecer, estivéssemos realmente atentos, não fôssemos tão displicentes, quisesse o destino colaborar.

Quando algo quebra, a gente pensa como teria sido bom se não tivesse quebrado. O que de nada adianta frente ao fato consumado. Mas nós somos assim mesmo. O arrependimento é um companheiro insistente e está à espreita das coisas recém-quebradas.

Talvez seja o esforço pra consertar que nos incomode. Algo que não seria necessário fazer se tivesse sido diferente. Os planos estavam traçados, mas será preciso mudar um pouco a rota. É frustrante. Há quem busque culpados: estes sim deveriam fazer o esforço por nos reparar pelos danos. Para quem opta por essa abordagem, podemos desejar boa sorte e que encontrem parceiros e instituições dispostos a colaborar.

Mas não nos resta muito senão agir nós mesmos para o conserto. Após investir tanto para ter algo - seja construindo, seja adquirindo - o elo estabelecido demanda o conserto. Então, corremos à oficina, ligamos para o especialista, fazemos manifestações, mandamos 100 mensagens para as ex-namoradas, batemos à porta das suas casas esbaforidos, pedimos desculpas. E, às vezes, funciona.

Mas algumas coisas não têm conserto. E pode ser tão difícil saber quais. Os mais insistentes reúnem vitórias e derrotas ao longo do caminho. Os resignados preferem nem começar a jornada. Não há resposta certa. O que podemos esperar é que cada um saiba lidar da melhor forma possível com as situações de quebra e siga em frente até onde for razoável.

A quebra é uma parte involuntária de nossa própria construção. Como muitos aspectos da vida, é algo ruim sem o qual não seria razoável viver. Mudamos por causa da quebra, aprendemos, evoluímos.

Eu venho me acostumando ao fato de que as coisas quebram. E sei que minha personalidade ajuda. Não tenho total controle sobre a minha compreensão do mundo. Enxergo o que consigo. E, pelo que vejo, a quebra é inevitável, mas também é neutra. Sou eu o responsável pelas suas consequências. Então, quando algo quebra, cabe a mim entender o que aconteceu e transformar o evento em algo positivo. O conserto será consequência direta da minha visão. Quanto mais preparado eu estiver, mais capaz serei de consertar; ou entender e aceitar aquilo que não tem conserto.

A visão que temos de nós mesmos é a melhor ferramenta de conserto. Você não é o governo que comanda o seu país. Você não é a presidenta ou o presidente. Você não é o seu casamento, nem a bolsa de valores. Você não é seu emprego ou o cargo que você ocupa. Mas tudo isso faz parte de você. Então, quando um desses quebra, faz sentido nos abalarmos. Mas o impacto não deve ser tão grande, porque você é maior que isso. Não permita que sua integridade seja abalada por uma pequena parte que te compõe. Você não só não tem controle sobre essa parte, como é certo de que ela quebrará em algum momento.

É difícil encarar a vida, porque ela entrega poucas coisas com facilidade. E ela é capaz de lhe tirar tantas outras coisas que você acredita ter conquistado. Quando algo quebra, é hora de reavaliar o seu valor. Se for realmente alto, você será capaz de consertar. Se não for, que você seja capaz de aprender com a perda e capaz de seguir em frente.

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