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7 maneiras novas de contornar as birras de seu filho pequeno

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DEFIANT KIDS
Imponha limites rígidos apenas aos comportamentos que criem riscos. | Image Source via Getty Images

Quando seu filho pequeno olha diretamente para você e diz "não, não vou fazer isso", "odeio você!" ou "você não pode me obrigar", há algo nisso que desafia você até a alma.

Mas você não é o único a se sentir assim. Longe disso.

É possível lidar melhor com esse comportamento irritante quando sua meta é utilizar seu relacionamento com seu filho como motivação, em vez de consequências e castigos ineficazes. Apresento a seguir sete estratégias para ajudá-lo a não perder a calma quando você enfrenta comportamento desafiador por parte de seus filhos.

1. Nunca, jamais, encare isso como afronta pessoal.
Sua filha não está se recusando a tomar o café da manhã com a intenção expressa de deixar você frustrada. Quando você a manda entrar no carro e ela diz "não, não e não", não o faz para irritá-la. Comportamentos rígidos, desafiadores e inapropriados são um sinal de que seu filho está se sentindo desconectado. Crianças que se comportam "mal" não o fazem para "ganhar" atenção. O fazem porque estão precisando de sua atenção, precisando estar conectadas com você. Num momento desses, ficar brava e controladora é a pior coisa que poderia fazer.

2. Pense por que ela está dizendo "não".
Imagine um dia em que você se levanta e, antes mesmo de conseguir respirar fundo, alguém já lhe está dizendo o que fazer. Alguém lhe fala o que vestir, o que comer, quando sair de casa e assim por diante. Não estou sugerindo que devemos dar liberdade total às crianças. Mas tente olhar as coisas desde a perspectiva delas, de autonomia quase zero --isso pode ajudar você a ter empatia com o desejo de poder de seu filho, mesmo que seja apenas o poder de desafiar.

3. Converse com você mesmo.
Não existe melhor ferramenta para conservar a calma que a conversa positiva com você mesmo. Para conseguir "não levar a coisa no nível pessoal", você precisa conversar com você mesmo, internamente, sobre o que está acontecendo à sua frente. Ou seja, quando seu filho fala "não quero me vestir!" e a primeira coisa que vem à sua mente é "NÃO INTERESSA! PONHA SUA ROUPA JÁ!", você pode se abster de dizê-lo em voz alta e, em lugar disso, falar com você mesmo de um jeito que ajude: "Respire fundo. Joey não quer colocar a roupa e eu estou com vontade de gritar, mas posso ficar calmo." Quando você se acalma, conversando consigo mesmo, e consegue não se comportar de um jeito que não é o que deseja, pode convencer-se a reagir de uma maneira que proporcione resultados melhores.

4. Reflita sobre os sentimentos de seu filho, respeite-os e dê uma resposta a eles.
Permita à criança ter seus sentimentos de rebelião e reaja de modo caloroso (sim, isso é possível depois daquele papo bondoso que você teve com você mesma). Experimente narrar: "Você não está com vontade de sair do carro. Estou vendo seus bracinhos segurando firme no cinto do carro. Você deve estar pensando 'não, não vou sair do carro de jeito nenhum!'." Para que fazer isso? Porque gera uma pausa, uma brecha na espiral de raiva na qual você e seu filho podem mergulhar. Quando você declara de modo calmo o que está acontecendo, seu filho se sente percebido. E, porque você não se lançou em nenhum tipo de luta pelo poder, não há autoridade ou controle contra o qual reagir.

5. Imponha limites rígidos apenas aos comportamentos que criem riscos.
Quero dizer o seguinte: quando seu filho se descontrola, e o sistema nervoso dele está sobrecarregado, não existe nenhuma oportunidade de ensinar alguma coisa. Se a criança está tendo um acesso de raiva por alguma coisa, garanta que todos estejam em segurança e não faça mais nada, até a tempestade passar. Impeça agressões, com braços firmes, e diga: "Não posso deixar você dar socos". Quando seu filho retaliar e gritar "odeio você, você é a pior mãe do mundo", não tente agora impor limites às palavras dele. Seu filho passou de uma maneira totalmente inapropriada de expressar sua frustração e raiva (bater) para uma forma um pouquinho mais apropriada (gritar com você, dizendo coisas que magoam). Mantenha a calma. Você tem um córtex pré-frontal inteiramente formado, pode fazer isso.

6. Não deixe de ter uma visão positiva de seu filho
Saiba que criar crianças que serão membros da sociedade, pessoas respeitosas, gentis e produtivas, é uma maratona, não uma corrida de 100 metros. Agora é outro momento bom para conversar com você mesma: "Meu filho é pequeno e ainda está aprendendo. O cérebro dele ainda não está plenamente desenvolvido, e ele precisa de minha orientação gentil." Confie que ele vai mudar a situação. Só porque ele está se negando a sair de casa às 15h30, isso não quer dizer que ainda vai se recusar às 15h40. Acredite que ele vai acabar por fazer o que você pediu.

7. Use um pouco de humor e brincadeiras do mais forte.
O humor, bem utilizado, é uma ferramenta muito valiosa. Evite sarcasmos e use um tom bobinho, convidando seu filho a entrar na brincadeira. Se ele não quiser escovar os dentes, diga, por exemplo: "Olha só, parece que sua boca está fechada... acho que vou ter que escovar seu nariz e suas orelhas". Ele vai rir, e depois de algumas gargalhadas, é provável que abra a boca.

Brincadeiras do mais forte são aquelas que dão à criança o papel mais poderoso. "Derrube o Papai" é uma das favoritas em minha casa. Outra é "convidar ao desafio": eu ergo uma torre de bloquinhos e peço a meu filho que ele, por favor, não a derrube. Ele faz exatamente isso. Repetimos várias vezes o processo de construir, pedir e derrubar.

Sei que é difícil, muito difícil mesmo, conservar-se calma, controlada e no estado de espírito em que consiga responder (e não simplesmente reagir) nas horas em que as coisas estão saindo de controle. Lembre-se que seus filhos estão aprendendo como lidar com os problemas deles com o seu exemplo. Estas dicas vão ajudá-la a conservar a calma nas horas em que os ânimos esquentam. Você verá resultados de verdade: melhoras em seu relacionamento com seus filhos e no comportamento deles.

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