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5 coisas (nada românticas) sobre a maternidade

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JGI/Jamie Grill via Getty Images
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*Texto escrito por Joana Valle, e publicado originalmente no Superela.

Já vou começar me explicando: ser mãe foi e é uma das maiores e melhores experiências da minha vida. Amo ser mãe, tanto que hoje tenho um filho lindo (toda mãe acha!) de quatro anos e estou indo para o segundo, no quinto mês de gestação.

Só que, por mais que ame incondicionalmente aquele serzinho fofo e de olhos curiosos, não posso mentir para vocês. Se disser que nesse meio tempo tudo foram flores estarei sendo uma cara de pau mentirosa. Quem disser que é fácil ou "tranquilo" cuidar de filho, manter o casamento em dia, casa arrumada, trabalhar e ainda estar bem humorada, penteada, com a depilação em dia e o manequim de antes da gravidez está mentindo. Para falar a verdade, várias vezes você não vai dar conta de metade, outras você vai escolher entre tirar uma soneca e tomar banho e, pode ser, que demore séculos para sua barriga voltar para o lugar.

Sério, quando converso com uma amiga ou conhecida que acabou de ser mãe e pergunto "E aí, como está indo? Como está se sentindo?" e ela me responde algo do tipo "Ótimo! Perfeito! Meu bebê é super calmo!" e variações sobre o tema, involuntariamente, faço aquela cara de "querida! Eu já tenho um e sei que nessa fase nem tudo é perfeito!". Porque, por mais calmo e maravilhoso que seu filho seja, está nascendo ali uma relação e até vocês se sintonizarem, muitas e muitas preocupações aparecem.

Sempre que escuto esses discursos prontos de "agora você vai descobrir o que é amor" ou "ser mãe mudou minha vida completamente" penso que, como mães, devemos ser mais sinceras umas com as outras, pois assim poderemos ajudar e tranquilizar milhares de mamães que estão por aí se sentindo o pior ser do planeta por estar tendo crises de choro por não dar conta. #quemnunca?

Então, para começar a onda de super sinceras, vamos com uma listinha pouco convencional das 5 coisas nada românticas e, muitas vezes, inconvenientes e chatas, que vem junto com o filho da maternidade.

1. Você será sempre julgada!

Se teve parto normal falarão que é coisa de índio, se optou por cesárea será julgada por não pensar no seu filho, se voltou a trabalhar logo não se preocupa com ele, se é chata com comida é neurótica, se seu filho faz birra na rua não impõe limite, se deixa chorar um pouquinho é má. Por aí vai a lista de coisas que você terá que apreender a lidar desde o começo da gestação. Serão milhares e milhares de pitacos, julgamentos e opiniões. E, só você poderá saber quais deve ou não deve escutar. Filho não vem com manual e, muitas vezes, a experiência do outro não serve de nada para o seu bebê. Então, até escrever o seu próprio manual o jeito é lidar com os julgamentos sem surtar.

2. Amamentar nem sempre é a coisa mais linda do mundo

Experiência própria: no meu primeiro filho tive uma amamentação tranquila, dentro dos padrões que se pode chamar de "tranquila" pois não tive mastite, não tive "pedra no leite", não tive febre. Mas, o esquema foi difícil, pois o primeiro mês é duro, você vê estrelas nos primeiros 5-10 segundos que ele "pega", o peito "racha" e ele mamava muito e de 3 em 3 horas, tinha que estar ali, literalmente de peito aberto para ele. Nesse intervalo, muitas vezes, não dava para equacionar as tarefas básicas como comer, escovar dente, tomar banho e tentar tirar uma soneca. Além disso, teve o agravante do meu filho ter tido refluxo nessa fase, que garantiam pelo menos 20-30 minutos em pé com ele após cada mamada e choros intermináveis, desconforto e angustia dos dois lados. Por que estou falando isso? Porque quando vemos aquele lindo cartaz da Campanha de aleitamento, vemos uma foto linda, cheia de sorriso, paz e beleza. Mas, não se sinta a pior mulher do planeta se com você não for tão lindo como na foto (acho que nunca é!). Amamentar foi uma experiência ótima, amamentei em livre demanda e exclusivamente até o 6 mês, mas exige força de vontade e resistência e muita paciência.

3. Surgirão milhares de guardiões do seu casamento

Que saco! Você não pode se descuidar do seu marido, você tem que se cuidar para ele, você tem que sair com ele sozinha, você tem que manter a chama acesa, você tem que entender que homem demora mais para ser "pai" do que a mulher mãe... Blá blá blá! Você escuta milhares e milhares de receitas de bolo de como manter o casamento depois que os filhos nascem, que é um pé no saco. Eu e meu marido sempre fomos caseiros, nunca saímos muito antes do bebê nascer, ele não liga a mínima se estou com a unha feita, pelo contrário, até prefere quando não está com esmalte e ele sempre foi um paizão. Só que escutar do mundo essa quantidade de "você tem que" em uma fase que, sim, você está fragilizada, insegura com todas as mudanças e se reconhecendo como mãe é muito difícil. Um monte de responsabilidade que quando vocês juntaram as escovas de dentes deveriam ser compartilhadas, como manter a tal chama, recaem no seu colo, como se você fosse a mulher maravilha.

4. Seu cabelo cai

Pelo que vejo, esse fato acontece com muitas mulheres e NINGUÉM me alertou sobre isso. Sério, teve uma fase que já estava até fazendo "cofrinho" para comprar a peruquinha, pois o meu cabelo caiu de uma forma que tinha dias que simplesmente prendia sem pentear, para não ver o tamanho do estrago.  E depois da fase sem cabelo, vem uma fase pior: a do cabelo novo nascendo, onde você fica com um capacete arrepiado.

5. Você terá que lidar com a culpa

Simples assim, terá que aposentar seu cinto de mulher maravilha e assumir que não dará conta de tudo. Você terá que fazer escolhas que, muitas vezes, envolvem um sentimento péssimo: o de culpa. Vou contar um episódio pessoal. Sofri muito, muito mesmo, para voltar ao batente, sai de casa chorando várias vezes. Mas, ao passar de algumas horas no meu ambiente de trabalho uma sensação de bem estar me invadia. Me sentia bem por estar super arrumada novamente, coisa que não acontecia quando estava em casa. Me sentia bem por conversar com gente diferente, por poder usar perfume (que não usava em casa com medo de irritar o bebe!). E, algumas vezes, me pegava "culpada" por estar longe e feliz. Temos que lembrar que a maternidade é uma parte enorme da nossa vida mas que não é "a nossa" vida. Só assim poderemos lidar melhor com esses sentimentos conflitantes que surgem com a barriga.

Essa lista tem apenas cinco coisas mas, sendo bem sincera, podemos listar várias outras.

E você, tem filhos? Qual foi seu maior perrengue? Conta aí!

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