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5 dicas para conseguir uma bolsa de estudos no exterior

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Monkey Business Images via Getty Images
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A conquista de uma bolsa de estudos é um dos fatores determinantes para muitos brasileiros conseguirem estudar no exterior. Para países requisitados como EUA, Reino Unido e Canadá, o real desvalorizado e os gastos durante o curso aumentam ainda mais a necessidade de uma bolsa ou opções de financiamento.

Ao se aplicar para uma bolsa de estudos, é inevitável ter de enfrentar uma competição fortíssima em nível global. O processo é acirrado, estressante e requer, além de um bom currículo acadêmico, muita determinação, paciência e força de vontade.

O lado positivo e animador é que a oferta de bolsas está cada vez mais acessível, estruturada e diversificada, vinda desde instituições governamentais até as próprias universidades e iniciativas filantrópicas de diversos países.

Além disso, aumentam as opções de estudo com bolsas, desde cursos de graduação (os undergraduate courses) a pós-graduação como mestrado, MBA e programas de doutorado.

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Foi esse o cenário que vi quando fui procurar por bolsas de estudo no Reino Unido, dois anos atrás. Como não dispunha de condições financeiras necessárias para custear uma pós fora, conseguir uma bolsa de estudos foi crucial para realizar esse sonho. Durante esse processo, me deparei com um programa de bolsas oferecido pelo governo britânico, o Chevening, além de iniciativas de apoio financeiro das próprias universidades estrangeiras, que vão de bolsas integrais a descontos atrativos.

Por exemplo, uma das universidades mais renomadas do mundo, a Universidade de Cambridge, promove um programa variado de bolsas. Além do Cambridge Trust, que oferece oportunidades para estudantes do mundo inteiro, eles possuem o projeto Gates Cambridge, criado a partir de uma parceria com o Bill e Melinda Gates Foundation, com bolsas para candidatos internacionais a vários tipos de pós-graduação.

Universidades conceituadas de Londres também oferecem oportunidades diversas, como o University College London e o Imperial College London.

Antes de procurar por bolsas de estudo: Primeiramente, tenha em mente o estudo que você deseja para sua carreira. É um MBA, mestrado profissional, ou um doutorado que você quer? Quais são as universidades que oferecem essa grade curricular?

Aí entram vários fatores que vão impactar na sua escolha final: ranking de qualidade, localização, infraestrutura, recomendações de amigos/familiares...

No meu caso, escolhi a Universidade de Westminster por quatro motivos principais: bom ranking na área de comunicação e mídia, o curso (Marketing Communications MA), a localização e a oportunidade de bolsas de estudo.

Em 2014, apliquei para o full-fee scholarship oferecido pela própria universidade e fui uma das cinco selecionadas a receber essa bolsa que cobre o valor do curso. No ano seguinte, dei início ao mestrado full-time, o qual eu concluí em março deste ano.

Bom, aqui, vou contar algumas dicas de como aplicar a uma bolsa de estudos, bem como o que possibilitou o sucesso para mim. Se você sonha em conseguir uma bolsa de estudos, espero que estes conselhos ajudem da mesma forma como me ajudaram!

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1. Planejamento e documentos-chave

O principal desafio para mim foi organizar tudo no momento e lugar certos. A verdade é que você vai encontrar vários regulamentos e documentos exigidos em etapas diferentes. São muitas coisas para gerenciar ao mesmo tempo, portanto planeje bem para não correr o risco de perder o prazo ou esquecer um item importante.

Personal statement e reference letter

Bem no começo, você vai se deparar com dois documentos comumente requisitados pelos programas de bolsas: o personal statement, um texto escrito em 1ª pessoa sobre si mesmo, e o reference letter, que é uma carta escrita por quem te conhece e pode te recomendar.

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O formato e estilo de linguagem devem ser profissionais e claros: sem gírias, jargões ou abreviações soltas. Há um limite de palavras no personal statement, portanto se atente a isso. Agora, se você nunca escreveu um antes, não se preocupe: várias instituições dão orientações de como estruturar as informações, como o próprio British Council, e há muitos modelos disponíveis na internet para se inspirar (mas nunca copiar!).

Pré-requisitos

Primeiramente, é muito importante conferir se você se enquadra nas exigências da bolsa que deseja. Sem dúvidas, uma condição fundamental é ter um desempenho acadêmico excepcional. Se você já tem uma graduação e está pensando numa pós, você vai precisar equivaler a sua nota ponderada do curso com o sistema de classificação do país em mente. Isso te permite entender o que a sua média representa para a universidade em que você quer estudar.

Por exemplo, no Reino Unido, uma média final de 70% para cima em um bacharelado no Brasil pode ser considerada como um First-Class degree, a classificação mais alta. Essa nota te dá mais chance de competir por uma bolsa maior do que uma média mais baixa, como o 2:1 (média de 60 a 69%) ou 2:2 (média de 50 a 59%). Isso pode variar, portanto consulte bem o que a sua performance acadêmica equivale de acordo com a instituição e o país em questão.

2. Venda seu peixe sem medo de ser feliz

Culturalmente, há um traço comportamental no Brasil que inibe as pessoas de falar de suas conquistas pessoais e profissionais abertamente. Recentemente, uma pesquisa do LinkedIn apontou que só 42% dos profissionais brasileiros se sentem confortáveis em falar das suas realizações profissionais. Há, muitas vezes, uma impressão de que tal atitude possa ser vista como arrogante e egocêntrica.

Mas, para conseguir uma bolsa de estudos, é necessário vender o próprio peixe.

O personal statement é a porta de entrada para que o selecionador te conheça e pode ser a única chance que você tem de persuadi-lo a confiar no seu potencial. Portanto, não se sinta acanhado em destacar suas conquistas e vitórias, seja na esfera pessoal, acadêmica e/ou profissional.

Por outro lado, seja sempre honesto e verdadeiro: exageros, meias-verdades e distorções caem mal e podem comprometer a sua candidatura. Cuidado com qualquer deslize!

3. Conte sua história

No meu personal statement, decidi apostar numa abordagem mais pessoal, ainda que estivesse usando uma linguagem formal, como se estivesse contando uma história. Falei das conquistas acadêmicas e de desafios importantes que superei, motivos pessoais pelos quais sonhava em estudar fora e dos planos que eu desejava realizar após a graduação. Expliquei o porquê de precisar de um apoio financeiro e como eu planejava retribuir posteriormente.

Sugiro, dessa forma, desenvolver uma narrativa envolvente e um retrato sincero de si mesmo. Descreva-se não só como um estudante com talento bruto, mas um indivíduo com sonhos e ambições, um potencial líder, um profissional em cujos planos valham a pena investir.

Essa complexidade multifacetada, a meu ver, gera empatia, autenticidade e torna o candidato único e ímpar. Faça que o leitor tenha gosto e interesse de ler o seu texto até o final. Conte sua história!

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4. Escolha bem suas referências

Além do personal statement, é necessário ir atrás de cartas de referência, as reference letters. Quando apliquei para a Universidade de Westminster, como pediram duas cartas, contatei meu supervisor de dissertação da USP e um ex-chefe que ainda é um grande amigo. Para minha sorte, ambos foram super-abertos e acessíveis e me ajudaram no processo.

O que eu recomendo aqui é selecionar bem quem serão suas referências dentro da sua rede de contatos. Escolha alguém com quem você mantenha um bom relacionamento profissional ou acadêmico, alguém que tenha feito parte de uma grande conquista sua .

Quanto mais a pessoa reconhecer suas habilidades e confiar no seu potencial, mais rica e autêntica será a recomendação sobre você.

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5. Revise e peça ajuda para checar o conteúdo final

Como qualquer trabalho importante, dedique tempo para revisar o conteúdo da sua aplicação, principalmente o personal statement. Cheque se a gramática e ortografia em inglês estão adequadas, se as palavras escolhidas estão apropriadas e se todas as mensagens-chave que você quer passar estão bem estruturadas. Revise quantas vezes for necessário até se sentir confiante que você fez o melhor que pôde.

Ao mesmo tempo, peça a alguém que fale bem inglês para revisar seu texto, seja um amigo, familiar ou mesmo um profissional (caso ache necessário). Uma segunda opinião sempre vale muito e pode te ajudar a achar pequenas falhas e sugerir melhorias onde você não enxergou. No meu caso, quando finalizei meu personal statement, contei com os ajustes que minha irmã me recomendou, o que me fez ficar mais segura do resultado final.

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Um último conselho: caso você seja um estudante universitário e quer estudar fora depois, não deixe a peteca cair!

Dedique-se aos seus estudos e priorize sua educação, sempre. Você não faz ideia de como esse esforço hoje vai te ajudar no futuro, e digo isso pela minha própria experiência.

No mais, tenha paciência, controle a ansiedade o máximo possível (para ansiosos extremos, eu sei como é difícil!) e persevere até o final. Quem sabe você não é o próximo na lista de aprovados daquela bolsa de estudos com que tanto sonha? ;)

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Mais informações e dicas sobre bolsas de estudo:

Geral

Estudar Fora

Reino Unido

Scholarship Search

Education UK

Study London (guia de universidades e bolsas de estudo em Londres)

LEIA MAIS:

- Como realizar o sonho de estudar no exterior

- Dicas para se dar bem no IELTS Academic

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