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Uma menina perguntou por que minha filha com autismo era 'estranha'. Uma amiga dela deu a melhor resposta.

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*Escrito por Stacey Rushing.

Outro dia umas meninas da vizinhança vieram nos visitar. Eu estava tomando um café, conversando com a minha melhor amiga, mãe de uma das meninas. Ouvi uma das menininhas perguntar para a filha da minha melhor amiga: "O que está errado com Gabby?"

É um daqueles momentos que me deixam inquieta porque, apesar de as crianças estarem brincando e assistindo um filme da Disney, esta já entendeu que minha filha é diferente.

Segurei a respiração e esperei pela resposta. A filha da minha melhor amiga sorriu e disse: "A Gabby tem autismo, é por isso que ela é especial. Ela vive num mundo que é diferente do nosso... tipo o cérebro dela não funciona do mesmo jeito".

A outra menininha diz: "É por isso que ela é estranha?"

A filha da minha melhor amiga ri e diz: "Ela não é estranha; ela só adora brincar de faz-de-conta e gosta muito de cavalos. Você só tem de brincar das coisas que ela gosta, e se ela ficar violenta você tem de contar pra mãe dela. Ela não gosta de filmes de medo e às vezes chora bastante, mas a mãe dela é a única mãe do bairro que deixa todo mundo entrar e sempre serve comida e bebida. Dê um tempo para ela e você vai conhecê-la de verdade."

A conversa durou só um minuto, mas o que aprendi naquele minuto é que outras crianças podem aceitar minha filha, mas não vão ser enganadas. Elas percebem logo que Gabby é única. Nunca fiz segredo dos problemas da minha filha. Sempre falo para os outros dos desafios e dos triunfos da nossa menina.

Minha filha é diferente do resto; provavelmente sempre será, mas ouvir essa definição de autismo de uma criança e vê-las todas brincando juntas me faz ter a certeza que ela vai continuar o trabalho de conscientização. Quando ela encontrar outros meninos e meninas da escola, eles vão entender um pouco melhor o que é autismo. Não é para ter medo. "Autista" não significa que eles não possam ser amigos. Só significa que um indivíduo é único, mas quer brincar como todas as outras crianças. Só precisa ter um pouco de paciência e compreensão.

Essa menininha acabou brincando o resto da tarde com a minha filha. Elas se divertiram brincando com cavalos. Nem sempre é assim; às vezes minha filha se incomoda com as amiguinhas, e temos de mandar todo mundo para casa. Mas hoje fizemos uma nova amiga, e as meninas puderam brincar dentro de casa num dia frio. Minha filha teve um dia normal de brincadeiras com as amigas, o que é meu objetivo, sempre.

Apesar de Gabby ser diferente, estou decidida a fazer com que ela seja parte da nossa comunidade. Levo-a para as brincadeiras de fim de semana, mesmo que ela não dure muito tempo. Outras crianças não têm a chance de passar muito tempo com ela, mas de qualquer modo isso é muito importante para todos. Uma em cada 68 crianças é afetada pelo autismo hoje; minha filha pode ser a primeira criança autista que as crianças conheceram, mas não será a última.

menina resposta autismo

Quando nuvens escuras aparecem sobre minha cabeça e sinto o peso da vida com uma criança que tem necessidades especiais , me forço a sair da escuridão e ir para a luz. Lembro que temos de sair - não para Gabby nem para mim --, mas para todas as crianças que sofrem de autismo.

Muitas vezes ouço mães de crianças com autismo dizendo: "Dá muito trabalho levá-la para eventos". Concordo; seria mais fácil deixar as portas fechadas e Gabby brincando sozinha. É assim que ela fica mais à vontade, porque influências externas podem deixá-la inquieta. Mas não posso mantê-la numa bolha perfeita por muito tempo. Por mais que queira que ela esteja segura e não seja provocada, isso não é a realidade. Então a levo para eventos da comunidade, igreja e escola, não porque minha filha goste muito desse tipo de evento, mas porque fazemos isso em nome das crianças autistas que virão depois de nós.

Temos de continuar saindo, forçando, sendo vistas. Temos de manter as conversas sobre autismo com desconhecidos e com os filhos dos nossos amigos. Levar minha filha para ver o mundo, tirá-la da zona de conforto, é a única maneira que tenho para tornar a convivência mais fácil tanto para ela quanto para os outros.

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.

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