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Quando percebi que inclusão na sala de aula não era uma opção para minha filha

Publicado: Atualizado:
INCLUSION
JENNIFER IANNUZZI
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*Escrito por Jennifer Iannuzzi

No outono de 2006, minha filha Sydney, que tem a síndrome de Smith-Magenis, tinha 10 meses de idade, e eu estava apenas começando o processo longo de descobrir o que é intervenção precoce. Eu estava sentada em minha cozinha com a assistente social do programa que abrange desde o parto até 3 anos de idade, e ela queria que eu assinasse documentos confirmando que Sydney tinha direito a serviços de pré-escola de nossa escola pública local. Me recordo de ter ficado indignada com o pedido. Eu falei à assistente social que tinha toda intenção de mandar Sydney para a mesma pré-escola em que meus dois outros filhos tinham estudado. Ela tentou gentilmente me convencer a pelo menos assinar os papéis, caso a necessidade surgisse, mas eu me recusei terminantemente.

Um ano mais tarde, assinei os papéis.

Em janeiro de 2009, Sydney começou a estudar numa pré-escola de educação especial em nosso colégio público local. Ela estudava numa classe integrada e recebia todos os serviços especiais que ofereciam. Eu abri mão do desejo que ela estudasse numa escola "normal" e aceitei que minha filha teria que receber serviços de ensino especial durante toda sua vida acadêmica.

Embora em algum nível eu soubesse que essa era provavelmente a coisa certa a fazer, eu simplesmente não estava preparada para aceitar que fosse verdade.

No outono de 2013, enfrentei a mesma situação novamente. Eu estava numa reunião de equipe para discutir a situação de Sydney, falando do progresso dela na escola. Sydney estava tendo bastante dificuldade, e a equipe estava lutando muito para administrar as necessidades educacionais e comportamentais diárias dela. A situação vinha se complicando havia algum tempo, e finalmente estava chegando a uma crise. Foi nesse momento que a diretora falou da ideia de colocar Sydney numa escola para portadores de necessidades especiais. Fiquei furiosa.

Embora em algum nível eu soubesse que essa era provavelmente a coisa certa a fazer, eu simplesmente não estava preparada para aceitar que fosse verdade. Como eu tinha feito em 2006, me recusei terminantemente a considerar essa opção e exigi que fizéssemos um esforço maior para fazer um programa de ensino especial dentro da escola normal funcionar para Sydney.

Passamos o ano seguinte nos esforçando muito para obrigar Sydney a se enquadrar em um lugar que não era dela. Sydney precisava de tantas adaptações na escola que era quase impossível atender a todas as necessidades dela. Ela precisava de apoio constante e individual, um ambiente de sala de aula pequeno, um lugar seguro onde pudesse ficar quanto tinha um acesso, flexibilidade tremenda em seus horários e, mais que isso, precisava de um currículo individualizado que fosse adequado à sua maneira singular de aprender.

Na maioria dos casos as escolas públicas conseguem dar conta dessas necessidades, mas no caso de Sydney era muito mais difícil do que parecia. Eu podia ver o programa dela desabando diante de meus olhos e, por mais que tentasse, não conseguia resolver os problemas. Eu me neguei a desistir e continuei a ter a esperança de que a escola em que ela estava pudesse individualizar o programa de ensino de minha filha e atender a todas as necessidades dela.

Infelizmente, o programa deteriorou, e Sydney passava o dia inteiro na sala de recursos especiais com uma professora assistente. Ela não estava nem mais tentando fazer qualquer coisa para alcançar as oportunidades dos outros alunos; vivia faltando às atividades devido a seus comportamentos imprevisíveis. Foi ficando dolorosamente claro que a escola pública era grande, caótica e estressante demais para Sydney. Eu sabia o que vinha pela frente e não estava contente.

A questão do encaminhamento de minha filha para uma escola especial voltou a ser posta sobre a mesa em outra reunião de equipe, dois meses atrás. Dessa vez, não foi apresentada como opção.

A escola admitiu que não conseguia mais atender às necessidades de Sydney e mantê-la em segurança em seu ambiente. Teríamos que iniciar o processo de procurar uma vaga para Sydney em uma escola para portadores de necessidades especiais.

O que eu precisava encontrar era um ambiente que a acolhesse - um lugar novo que não exigisse que Sydney mudasse, mas que lhe permitisse ser ela mesma.

Ao longo destes anos, o que percebi é que, quanto mais eu tentava forçar, mais todo o mundo, incluindo Sydney, ficava estressado e ansioso, e cada vez menos êxito minha filha tinha nessas circunstâncias. A equipe docente da escola não dava conta das necessidades singulares dela, e os comportamentos dela foram se agravando progressivamente. Em meu íntimo, eu sabia que, se Sydney pudesse ser ela mesma e ser aceita assim, ela acabaria se saindo bem.

Levei anos para aprender que a inclusão não é a solução certa para todos e que eu não devo me sentir mal ou culpada por pensar assim. Sei que, para a maioria das pessoas, a meta mais importante é que uma criança com necessidades especiais receba ensino igual ao de todas as outras crianças. Era o que eu mesma pensava.

Em 2006, era importantíssimo para mim que Sydney estudasse na mesma escola que seus irmãos. Hoje o mais importante para mim é encontrar o ambiente certo para minha filha, que atenda às necessidades dela e seja capaz de lidar com suas diferenças.

Estou cansada de me sentir um fracasso em matéria da vivência escolar de minha filha e não quero mais me sentir derrotada por um sistema de ensino que simplesmente não funcionou para ela.

Ser incluído é maravilhoso, mas ser aceito como quem você é realmente é melhor ainda.

Acompanhe essa jornada aqui: Strength for Sydney.

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.

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