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Como eu aprendi a parar de me preocupar e comecei a amar o Hóquei

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Você provavelmente já ouviu falar de um esporte jogado sobre o gelo, em que os jogadores carregam um taco com o qual tentam atirar uma bola para dentro de um gol. Bem, na verdade é um disco, não uma bola, e eu só sei disso porque ao contrário de você, e de 99,99% da população brasileira, eu amo este esporte. Não que o formato do objeto de disputa entre os times faça alguma diferença, ele poderia ter a forma de um abacaxi e eu provavelmente ainda seria apaixonado pelo jogo, embora isto talvez atrapalhasse a sua dinâmica.

O hóquei no gelo é uma das grandes invenções do homem. De que homem exatamente não se sabe, mas certamente um que morava em um lugar frio. Dizem que foi no Reino Unido, mas assim como o futebol "pertence" ao Brasil, o hóquei "pertence" ao Canadá. Se aqui um menino nasce com a bola no pé, lá é com o taco na mão. O hóquei é também muito popular na Rússia, Suécia, Finlândia e República Tcheca.

Por aqui, é mais fácil encontrar um japonês de olhos azuis ou um comentário inteligente de portal de internet do que um fã do gelado jogo. Também pudera, um esporte jogado sobre o gelo que nem sequer é um dos 3 esportes preferidos dos americanos (nossos imperialistas favoritos), não teria como cair no gosto brasileiro, certo? Hããã... errado.

Antes que você diga que eu bebo, uso drogas e sou mais louco que o Lobão, exponho meus argumentos. O primeiro e mais importante deles é que o hóquei tem inúmeras semelhanças com o futebol. E não estou falando apenas do gol, que existe no handebol, por exemplo. Nem do impedimento, que há no polo aquático. A própria dinâmica do jogo é semelhante.

É bem provável que você tenha dito ou escutado a seguinte descrição - "O time jogou muito, massacrou, mas deu um vacilo, tomou um gol e perdeu". O único outro esporte (que eu conheço, se houver outro me apresente, por favor) além do futebol em que ela cabe, é justamente o hóquei no gelo. O acaso como fator determinante, algo tão presente no mundo e em nossas vidas, e ausente na maioria dos esportes, que torna a coisa toda muito mais imprevisível e emocionante, dá as caras com frequência nele.

Outro ponto em comum fundamental é aquele que arranca "óóóhhh"s da torcida - o drible. Este encantador símbolo máximo do talento, do improviso, da ginga, capaz de desmoralizar adversários e que ainda hoje é tão associado aos boleiros brasileiros, é essencial no hóquei. A "caneta", provavelmente o mais humilhante deles, quando um jogador passa a bola entre as pernas do marcador, também é frequentemente feito com o disco pelos mais talentosos canadenses, russos, americanos, suecos e outros tantos no gelo.

Ou seja, o hóquei no gelo tem todos os elementos necessários para se tornar uma verdadeira febre entre os brasileiros. O que pode estar atrapalhando o seu rápido sucesso talvez seja um pequeno detalhe: o gelo. Ok, as chances de que neve comece a cair aqui são bem remotas, até porque o fenômeno climático chama aquecimento global, e não esfriamento. Mas pode acontecer fenômeno semelhante ao que houve com o futebol americano. Um esporte que passou a ter grande audiência, mesmo sem ser praticado por aqui. Atualmente até existe uma liga profissional brasileira de futebol americano, mas a grande parte do seu público nunca nem chegou perto de uma bola oval.

Tenho a impressão inclusive que a audiência vem crescendo nos últimos anos. A Espn tem mostrado até três jogos por semana durante a temporada regular, e ainda mais durante os playoffs. E pela participação do público nas transmissões, parece até haver bastante gente assistindo. Umas duzentas, quiçá (brincadeira, devem ser um pouco mais). Entretanto, nunca encontrei uma única viva alma destas. Se você é uma delas, pode fazer contato comigo e realizar minha suprema fantasia de conversar com alguém a respeito. Podemos inclusive falar sobre este sentimento de inadequação, esta paixão quase tão excêntrica como a do "Dr. Strangelove" pela bomba.

E se você não for um destes raríssimos casos, e quiser saber mais sobre o esporte, terei grande prazer em explicar também. Sugiro inclusive que comece a assistir hoje. A liga está em sua reta final, nas semifinais de conferência. E haverá o grande duelo entre as duas maiores estrelas desta geração, Sidney Crosby x Alex Ovechkin, algo como Messi x Ronaldo. É o que o hóquei no gelo tem de melhor para oferecer.

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Ah, e se estiver um pouco difícil de enxergar o disco (que é muitas vezes disparado a 150km/h), não se preocupe. Assistir hóquei é um esporte por si só, e requer um pouquinho de prática. Mas logo você pega o jeito.

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