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Não vamos esquecer as vítimas da Samarco!

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POBREZA
EUGENIO MORAES/HOJE EM DIA/ESTADÃO CONTEÚDO
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Já é de conhecimento de todos -- ao menos acredita-se que seja -- o rompimento da barragem do Fundão, ocorrido na cidade de Mariana (MG), no dia 5 deste mês. Também é sabido que os danos decorrentes dessa tragédia crescem cada vez mais, devido à falta de seriedade das empresas envolvidas na resolução dos problemas causados.

Neste sábado (28) completam-se 23 dias desde o rompimento, e não se vê mais ninguém falando sobre as pessoas vítimas da negligência das mineradoras envolvidas.

Até agora o que se tem notícia é que a Samarco vai fornecer aos habitantes do distrito de Bento Rodrigues uma renda mensal equivalente a um)salário mínimo por núcleo familiar, com um pequeno acréscimo de 20% do valor do salário para cada dependente, mais uma cesta básica... Parece piada, mas não é!

A Samarco e suas acionistas parecem achar razoável compensar todo o estrago que fizeram, todos os danos que causaram com uma mera oferta de um salário mínimo para cada família.

E como está nosso Judiciário a respeito disso? Nenhuma palavra... O processo corre demoradamente, enquanto isso, essas famílias vão ficando cada vez mais desamparadas, tendo que se sustentar com um mísero salário (benefício previsto para o início de dezembro), dentro de hotéis, pousadas... As mais "sortudas", em casas alugadas pela empresa, e essa realocação tem previsão para concluir-se até fevereiro de 2016, conforme nota da empresa.

Quanto à acomodação das pessoas, vale citar a reportagem do CQC sobre o rompimento da barragem.

Eu nunca fui muito fã do programa, mas essa reportagem em especial me chamou - e muito - a atenção, principalmente no que diz respeito às acomodações de muitas famílias em um dos hotéis da cidade...

Em um único quarto, 19 pessoas estão alojadas, sem um armário onde possam colocar suas roupas. Deixam-as em sacolas plásticas, jogadas no chão do quarto.

Até quando será permitido que continuem nessa situação degradante?

Quando lhes serão fornecidas residências fixas?

Quando poderão parar de depender de viver de aluguel?

Quando terão um ressarcimento justo do que lhes foi tirado?

Quando a Samarco e suas acionistas serão condenadas a dar a essas pessoas o que elas realmente merecem?

Quando nosso Judiciário irá dar a devida dimensão a esse problema? Quando esse processo terá a devida atenção?

Foi noticiado, antes de a lama da mineradora chegar ao mar do estado do Espírito Santo, que a Justiça do estado tinha dado à Samarco o prazo de 24 horas para barrar a lama antes que ela invadisse o litoral, sob pena de multa de R$10 milhões por dia de atraso e sob risco de prisão do diretor-presidente da Samarco.

Porém, em questão de poucos dias, foi conseguido um habeas corpus preventivo e a decisão da Justiça do ES mostrou-se outra: a lama poderia chegar ao mar, para que pudesse se dissipar!

Senhores Doutores de Direito, onde estão os senhores trabalhando pelas vítimas dessas empresas com a mesma celeridade com que asseguram aos donos de toda essa barbárie, que sejam cada vez mais isentos de responsabilidade?

Sei que alguns processos podem ser demorados... Mas, senhores, tenham em mente o periculum in mora, pois sabemos que uma decisão tardia nesse caso pode vir a causar mais prejuízos não somente às pessoas atingidas, mas também ao meio ambiente que agora agoniza diante de toda essa atrocidade.

Tratem com seriedade essa gente atingida, tratem com mais seriedade os processos provenientes de tal tragédia, pois para muitos dos Senhores Juízes processos são apenas papéis, mas para quem está esperando, pode ser toda uma vida.

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