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O mundo é dos homens: Os obstáculos que enfrento por ser mulher

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Ricardo Moraes / Reuters
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Porque sou mulher... As pessoas não me levam a sério. Se exerço algum tipo de autoridade ou procuro ser líder, as pessoas fazem pouco-caso de qualquer coisa que digo. Se assumo controle de uma situação, dizem que virei mandona. Se reclamo por estar menstruada, as pessoas me ignoram, como se eu não tivesse dito nada. Se me preocupo com alguma coisa, me dizem para não cansar minha cabecinha linda com isso.

Porque sou mulher... Dizer "não" é visto como inaceitável. Preciso ter uma razão para não querer fazer alguma coisa, e é bom que seja uma razão ultraconvincente. Desculpas vistas como inadequadas são rejeitadas, e eu sou obrigada a fazer o que foi proposto originalmente. Dizer "não" e nada mais leva você a ser ignorada.

Porque sou mulher... Preciso ter bons modos sempre. Falar corretamente e fazer tudo perfeitamente. Assegurar que tudo esteja em seu devido lugar e funcionando corretamente. Não posso fazer cena. Não posso criar confusão. Não posso declarar minha opinião. As pessoas esperam que eu fique calada e esteja bonitinha.

Porque sou mulher... Meu corpo não me pertence; ele só existe para dar prazer a outros. Tudo o que eu faço, digo e visto vai determinar se sou santa ou vagabunda, porque não existe nada entre um extremo e outro. Se sou estuprada, a culpa é minha e de mais ninguém - afinal, por que eu estava usando aquela roupa? Por acaso estaria vestindo aquilo se não estivesse querendo fazer sexo com qualquer pessoa em geral?

Porque sou mulher... Preciso corresponder aos padrões da sociedade. Não sou autorizada a me expressar fora dos limites que a sociedade considera aceitáveis. Minha maquiagem precisa ser leve, a não ser que eu seja considerada "feia" -nesse caso, preciso colocar mais. Tenho que usar roupas de grife que cobrem bastante, mas não demais. Meu peso não pode passar dos 57 quilos. Se passar disso, serei considerada "redondinha".

Porque sou mulher... Minha educação significa menos que a de meu colega homem. Posso ser forçada a sair de uma sala de aula se estiver com a clavícula à mostra, porque isso distrai a atenção dos homens. Não devo estudar ciências, tecnologia, engenharia ou matemática, porque "para quê perder seu tempo?" e porque "de qualquer jeito você só vai ser mãe mesmo". Como se o fato de me tornar mãe significasse que não tenho direito a ter uma carreira profissional.

Porque sou mulher... tenho medo de andar até meu carro à noite. Tenho medo de andar sozinha na rua. Tenho medo de virar uma estatística a mais.

Porque sou mulher, vivo em um mundo de dois pesos e duas medidas. Nunca sou levada a sério e constantemente sou colocada em situações em que não fico à vontade. Preciso respeitar os outros, mas não ser respeitada, e ninguém dá a mínima para o que eu digo, de qualquer jeito, porque estou apenas tendo uma reação exagerada.

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.

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