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5 provas de que só há impeachment porque a situação do País está doendo no seu bolso

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Vida mais cara: cesta básica, juros, desemprego e inflação alta. Foto: @ferchos04 II

Para a realização de um processo impeachment, uma presidente deve ter cometido crime de responsabilidade -- e há todas as evidências de que Dilma Rousseff não foi a única presidente a cometê-lo na história.

Mas, então, por que só com ela? Diferente do que a militância contrária ao impeachment tem espalhado nas redes, não se trata apenas de uma crise política. O componente político existe e é inegável, mas a crise econômica que o Brasil vive também é real, e isso começou a ter verdadeiro impacto sobre a vida das pessoas.

Sem o pano de fundo econômico, a perda de apoio por parte da população (63% dos brasileiros avaliando o governo como ruim ou péssimo) e a consequente perda de apoio no Congresso Nacional provavelmente não teriam ocorrido. Para entender melhor, leia abaixo 5 provas de que o impeachment só aconteceu porque está doendo no seu, no meu, no bolso de todo mundo.

1. Cesta básica: fim das melhorias

O salário mínimo do brasileiro nunca foi suficiente para comprar a cesta básica, ao menos desde 1995, quando esses dados começaram a ser medidos pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

No entanto, no governo Dilma, a capacidade de comprar a cesta básica por pessoas que ganham um salário mínimo deixou de crescer, segundo cálculos exclusivos feitos por este blog com os dados do Dieese.

Tanto Fernando Henrique Cardoso quanto Lula aumentaram o poder de compra da cesta básica. No início do governo FHC, em Janeiro de 1995, o salário mínimo do brasileiro comprava aproximadamente 10% da cesta básica.

Ao fim do governo FHC, o salário mínimo passou a comprar 17% da cesta. Durante o governo Lula, esse percentual aumentou de 17% para 23%. No primeiro mês do governo Dilma, o salário mínimo comprava 25% da cesta básica. Os dados mais recentes, de março deste ano, mostram um salário mínimo comprando 24%.

2. Empréstimos: dinheiro ficou mais caro

As taxas de juros são o que determina, em parte, o poder de compra da população, principalmente em um país onde o salário mínimo é incapaz de comprar o básico para a sobrevivência. Isso porque as taxa de juros determinam quanto custa ao cidadão conseguir empréstimos com bancos e financeiras.

Ou seja, quanto mais alta a taxa de juros, mais caro as pessoas pagam para pegar empréstimos, aumentando o endividamento. Em grande parte, os bons índices econômicos alcançados pelo Brasil durante parte dos anos governados pelo PT se deveu ao aumento do poder de compra pelo cidadão comum. Desde o final de 2015, o governo Dilma mantém a taxa de juros básicos da Economia (Selic) em 14,15% ao ano, a taxa mais alta desde agosto de 2006, como mostra essa série histórica do Banco Central.

3. O preço das coisas: tudo ficou mais caro
Na prática, a inflação é o índice que mede o aumento dos preços que as coisas custam às pessoas. Quanto mais alta a inflação do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), mais cara é a vida para o consumidor final, e sobreviver fica mais difícil. Em 2015, o Brasil ultrapassou -- e muito -- o teto da meta da inflação.

O País registrou, no ano passado, a inflação acumulada mais alta em 12 anos. O total acumulado foi de 10,67%. A última vez que a inflação tinha chegado a esse nível havia sido em 2002: 12,53%. Esse impacto no bolso do cidadão é também responsável por grande parte da perda de apoio popular.

4. Trabalho: desemprego está em alta

Além de todas as dificuldades financeiras relacionadas aos juros e à inflação, cada vez mais brasileiros estão perdendo os seus empregos. Recentemente, o desemprego no Brasil passou dos dois dígitos: 10,2% dos trabalhadores brasileiros estão sem ocupação e fora do mercado, segundo dados do IBGE divulgados em abril de 2016.

Essa foi a maior taxa divulgada pelo IBGE, desde que o órgão começou a divulgar a sua série histórica, em 2012. Ao todo, aproximadamente 10,4 milhões de brasileiros estão sem ocupação. O dado é do primeiro trimestre do ano, e representa uma alta de 40% em relação ao mesmo período de 2015.

5. O peso das pedaladas e créditos suplementares

Mas você deve estar se perguntando: e o que as tais pedaladas fiscais e créditos suplementares têm a ver com isso? Muitos dizem que essas práticas são apenas um pretexto para a realização do impeachment. Mas, na verdade, o que elas fizeram foi endividar o Brasil e, com isso, reduzir a capacidade do governo de gastar mais dinheiro. Isso quer dizer menos capacidade de investir em tudo, inclusive em avanços sociais e em melhorias econômicas. Uma vez mais, é o seu bolso que está em jogo.

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