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Por que o caso Jucá deveria unir 'petralhas' e 'coxinhas' contra Temer

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MICHEL TEMER
ASSOCIATED PRESS
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Chegou a hora da verdade. Você que é petralha e você que é coxinha; vocês estão mesmo lutando no Brasil pelo fim da corrupção? A divulgação das gravações entre o senador Romero Jucá e o ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, evidencia que os esforços para conter a Operação Lava-Jato e parar o combate à corrupção vêm de todos os lados. E o pior: que o PMDB, do presidente em exercício Michel Temer, está no centro desse movimento. E você, petralha; você, coxinha, vai ficar parado?

Esse é um momento-chave para que petralhas e coxinhas "de bem" unam-se em torno de uma causa maior: um combate à corrupção sistemático no país e o fim da impunidade. Dilma Rousseff, Lula, Aécio Neves, José Serra e Geraldo Alckmin, durante as suas campanhas presidenciais, fizeram-nos acreditar que havia, no País, uma briga entre dois grandes grupos na população brasileira.

Os votantes dos líderes petistas e os votantes dos tucanos. Com mais tempo de TV e sistemático ataque aos adversários, as equipes de marketing político de ambos os lados fizeram parecer que apenas esses dois grandes grupos existem. E que a população, igualmente, só se divide em dois grupos estereotipados.

De um lado, estariam os apelidados de petralhas (uma mistura de PT com metralha). Exibem bandeiras de movimentos sociais ligados aos direitos das mulheres, da população LGBT, dos negros, dos indígenas, dos artistas, dos sem teto e por aí vai. Acreditam em um modelo econômico com um Estado maior, que gasta mais.

Ao interpretar a lei, dizem que gastar sem controle, se for por uma causa maior -- a da Justiça social -- jamais pode ser considerado um crime. Querem o bem das minorias sociais, querem o bem da população, querem o bem do País. Mesmo assim, são chamados de 'petralhas' (petistas + petralhas) por seus opositores, os coxinhas, que os acusam de apoiar corruptos.

Ora, os coxinhas. Esses são os vilões, certo? Errado. Ganharam esse apelido aqueles que acreditam mais num modelo econômico liberal, com uma presença maior da iniciativa privada, com mais privatizações de empresas estatais. Com isso, querem mais investimentos no país, maior geração de emprego e renda, mais oportunidades.

Querem um Estado eficiente e meritocrático, querem competição no serviço público para ampliar a eficiência. Ao interpretar a lei, acham que gastar sem controle é, sim, um crime que deve ser punido. Querem o bem da população brasileira, querem uma economia pujante, querem a ampliação de oportunidades. Mas foram apelidados de coxinhas pelos seus rivais, em uma referência ao jeito de ser de 'patricinhas' e 'mauricinhos' de classe média.

Mas, e o que o combate à corrupção, Romero Jucá e Michel Temer têm a ver com petralhas e coxinhas? É que as gravações divulgadas esta semana são uma evidência de que a presença de Michel Temer na presidência é desejada por um grupo que não quer que a corrupção seja, de fato, combatida. Um grupo que mais tem interesse em ser estável politicamente do que no bem da democracia brasileira.

E o afastamento de Jucá não muda isso. O protagonismo do PMDB, partidão de centro, mostra que, na verdade, aqueles grupos tão bem definidos de petralhas e coxinha não existem. Há pessoas com características de uns e de outros. Eles são estereótipos criados por uma polarização no campo político-econômico, mas podem, sim, estar do mesmo lado. Prova disso é o fato de ambos os grupos terem o combate a corrupção e o fortalecimento da democracia entre suas bandeiras. Nada a ver com o PMDB de Temer.

É evidente que os caminhos políticos e econômicos para fazer o Brasil melhorar são muitos (e não apenas dois extremos), mas não há quem questione que esse caminho passa pelo combate à corrupção. É preciso que as investigações, punições e combate sistemático à corrupção sejam encorajados. Michel Temer não aparece nas gravações, mas basta saber ligar os pontos para entender que o seu governo não lutará para combater a corrupção. Mais provavelmente, deixará que ela continue. Tudo em nome do poder.

O movimento nas ruas não pode parar. Nem nas ruas, nem nas redes sociais, nem nas instituições. Petralhas e coxinhas devem continuar fiscalizando o poder, lutando pela causa maior. Ficha limpa na política, ficha limpa no Supremo Tribunal Federal, ficha limpa no Congresso Nacional, ficha limpa na imprensa. É preciso protestar, mas não apenas. É preciso utilizar todos os meios institucionais para garantir que Michel Temer e o PMDB não continuarão liderando o Brasil -- da urna a projetos de lei de origem popular; do voto a ações de iniciativa popular. E nesse contexto, é importante lembrar que qualquer pessoa pode iniciar o processo de impeachment de um ocupante de cargo eletivo.

O que você, petralha ou coxinha, pode fazer por isso? Mande um e-mail ou carta para o seu deputado e o seu senador dizendo que você votou nele e acha que Michel Temer não pode ficar onde está. Afinal, além da sua evidente corresponsabilidade nas pedaladas fiscais e créditos suplementares, caracterizados como crime no processo do impeachment, ele ainda tem na equipe como ministro do Turismo o investigado pela Lava Jato Henrique Eduardo Alves (PMDB), mais seis alvos de outras investigações.

Petralhas e coxinhas, chegou a hora de vocês mostrarem a que vieram.

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